A deficiência pode ser perspectivada de formas diversas, cada uma delas com
potenciais de emancipação distintos para as pessoas com deficiência. Na
sociedade portuguesa a deficiência tem sido reduzida às incapacidades dos
corpos e a uma narrativa fatalista de tragédia pessoal. Segundo este modelo de
entendimento, as restrições e obstáculos vivenciados pelas pessoas com
deficiência resultam directamente das suas supostas limitações funcionais. Tais
concepções têm validado a construção da imagem das pessoas com deficiência como
sujeitos passivos e dependentes, o silenciamento das suas vozes e alimentado
políticas sociais opressoras e excludentes das pessoas com deficiência em
Portugal. O presente ensaio pretende abrir uma reflexão sobre esta realidade,
de forma a contribuir para um questionamento cultural e sociopolítico dos
fenómenos de menorização, opressão, pobreza e exclusão social vivenciados pelas
pessoas com deficiência na sociedade portuguesa e para a construção de novos
caminhos emancipatórios.
Cada livro da colecção “Meninos Especiais” conta a história de uma criança com necessidades especiais. O Afonso tem um atraso global de desenvolvimento. O Alexandre tem síndrome de X frágil. O João ainda não tem diagnóstico. Escritores e ilustradores foram desafiados a conhecer estes meninos e a entrar nos seus mundos reais.
Era uma vez, um bebé perfeito! Era uma vez, uma mãe com mãos que luziam como pirilampos!
Uma história de amor que valoriza a diferença, fazendo-nos repensar e redescobrir o significado de perfeição.
Este livro contém um DVD com narração em língua gestual portuguesa e locução em português. Pela primeira vez em Portugal, uma história foi transcrita em signwriting, um sistema de escrita das línguas gestuais, criado por Valerie Sutton nos anos 70, que permite escrever qualquer língua gestual através de símbolos que respeitam a organização gramatical, sintática e semântica dos gestos. O DVD contém um ficheiro em signwrinting (SW) que torna a história legível e que desmistifica a efemeridade e o estatuto de "língua ágrafa" da LGP.
A Rede c@ps – Projeto de Apoio à Rede de Atenção Integral e Assistência à Saúde Mental coloca à disposição mais de 100 livros da área para download gratuito. Os títulos podem ser pesquisados de acordo com as categorias: Drogas, Violência, Saúde Mental, Crítica e Políticas Públicas.
Este projeto trata-se de uma ferramenta de divulgação de informações sobre Saúde Mental Integral e foi desenvolvido no Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2012.
Dividida em três partes - Formação, Práticas e Lugares - esta obra se propõe a discutir a temática a partir destas diferentes perspectivas. Dessa forma, trata dos aspectos da formação do docente que o habilitam a fomentar um ambiente de inclusão para o aluno com deficiência, das práticas, ferramentas e recursos que auxiliam o estudante nesse processo e também das instituições de ensino que vem obtendo bons resultados e servem de inspiração e exemplo.
Como é escrever um livro
infantil sobre a Carolina, que é surda e cega? Ou fazer as ilustrações sobre o
Tiago, que tem paralisia cerebral? É difícil. E é fácil. É o que dizem
escritores e ilustradores que foram chamados a contribuir para a colecção “Meninos
Especiais”.
Vasco Gargalo,
ilustrador, pegou num pau de giz e desenhou ao desafio com Martim, num quadro
de ardósia. Paula Delecave, designer, pousou a máquina fotográfica, sentou-se
no chão e tocou nas mãos e no rosto de Matilde. Luísa Ducla Soares, escritora,
passou a tarde numa esplanada a comer gelados e a beber coca-cola com Carolina.
Tinham-lhes pedido que usassem o seu talento para construir pontes entre as
crianças ditas normais e aqueles meninos com deficiências, mas todos eles
descobriram que, primeiro, também eles tinham de as atravessar. “Talvez tenha
sido a coisa mais difícil que já fiz”, reflete a autora de livros infantis e
juvenis Alice Vieira.
A Alice Vieira
costumam perguntar: “Por que é que não escreves sobre o campo?” E ela responde
aquilo que considera “ óbvio”: que o que conhece bem é a cidade e não gosta de
escrever sobre o que não domina. Fala desta sua “mania” para explicar que tinha
boas razões para rejeitar o desafio que lhe foi lançado pela presidente da
associação Pais em Rede, Luísa Beltrão. E para sublinhar que, apesar disso, não
conseguiu dizer que não ao convite para se reencontrar com João, um menino
autista com quem contactara numa outra iniciativa da associação. Objectivo:
conhecê-lo melhor e escrever uma história de que ele fosse o protagonista.
O livro de Alice
Vieira – como os restantes oito, publicados ao ritmo de três por ano – é para
crianças. E até à contracapa, em que aparece a fotografia do João e um texto
sobre ele sobre o que é o autismo, parece um livro vulgar. “Parece, mas não é.
Implicou muito tempo, muito cuidado, o receio de fazer mal, de perturbar os
pais, de não conseguir fazer chegar o João aos leitores”, enumera a escritora.
A ideia de Luísa
Beltrão foi usar as histórias e as ilustrações de pessoas conceituadas para
trazer para a luz estas crianças. “Costuma ver pessoas com deficiências no
parque infantil? E na esplanada ou no cinema? Mesmo na escola, que agora é
obrigatória – estes meninos estão com os seus pares?” A presidente da
associação Pais em Rede, ela própria mãe de uma mulher com deficiência, diz
que, “salvo raríssimas excepções”, as respostas às suas perguntas são “não”,
“não”, “não” e “não”: “Geralmente estas crianças, estes adultos, estão
escondidos, vivem escondidos, são invisíveis”.
Tornar estes meninos
protagonistas de livros de histórias que podem ser lidos pelos alunos das
escolas, pelos pais dos colegas de crianças com os mesmos problemas, pelos
educadores e professores e até pelos próprios pais das crianças com
deficiência, pelos seus familiares e pelos seus amigos, é mais importante do
que pode parecer, diz Luísa Beltrão.
“É criar pontes
para que as pessoas cheguem até elas, e é “revelá-los” “dá-los a ver” sem os
preconceitos habituais. “É permitir que todos – mesmos os pais, que muitas
vezes vivem numa ilha, demasiado sós com os seus filhos – olhem estas crianças
com olhos lavados e limpos, que os vejam como as pessoas que são, com
limitações e capacidades, que podem e devem ter amigos e projectos de vida”,
explica.
Não é um processo
fácil. Um ilustrador chegou a conhecer uma das crianças e depois desistiu,
sentiu-se incapaz de participar no projeto. Uma mãe aceitou receber o escritor
e o ilustrador e depois não deixou que o filho fosse identificado no livro. Não
quis que a imagem da criança fosse associada à deficiência. Ao contrário, há
quem veja no livro uma espécie de libertação, como Cláudia Mendes, ex-dirigente
da Pais em Rede e mãe de Matilde, uma menina que do ponto de vista
administrativo acompanha a turma do 4.º ano desde o jardim-de-infância mas na
realidade ocupa um espaço especial na escola, a sala de apoio à
multideficiência.
“Todos os meninos
da escola leram o livro e puderam depois visitar e brincar com a Matilde e
fazer um desenho sobre o que tinham aprendido sobre ela. De repente os colegas
da minha filha começaram a vir ter comigo – um disse que era fã da Matilde,
outro que finalmente tinha percebido por que é que ela não fala. Mas,
principalmente, todos perceberam que nos dias bons – porque há dias maus –
podem brincar com a Matilde”, diz Cláudia.
Matilde, de 9 anos,
tem a síndrome de Pitt-Hopkins, uma das doenças designadas como “raríssimas”.
“As crianças com esta doença têm dificuldade em aprender. Mas podem ser felizes
e sorrir muito. Também podem, no entanto, ter surtos de angústia e outras
perturbações de comportamento. É uma vida difícil, mas que nem por isso deixa de
poder ser feliz”. É isto que se lê na contracapa do livro de Rui Zink, que
Paula Delecave ilustrou.
“Foi uma
experiência de vida. Tudo, desde o início. Um pouco de medo do que você
desconhece, primeiro. E depois aproximar-se. Entrar no quarto dela, o seu
mundo. Tirar algumas fotos, perceber que antes de continuar tinha de largar a
máquina fotográfica, tocá-la e deixá-la tocar-me, para nos conhecermos”,
descreve a designer e ilustradora. No livro usou fotomontagens e colagens “sem
paternalismos, mostrando Matilde tal como a viu: “uma menina alegre, com uma
relação intrincada com a mãe, que adora o baloiço e para quem ser Matilde, como
escreveu o Rui [Zink] é uma aventura”, diz Paula Delecave.
Aquele encontro foi
tão marcante que a ilustradora colocou-se, literalmente, no livro. Está na
página onde Rui Zink dá voz a Matilde: “Essa doença torna difíceis, para mim,
coisas que para ti são fáceis. Correr, saltar, brincar no pátio. Até aprender.
E falar. Dizer o meu nome. Ou o teu”. A ilustrar, quatro crianças: uma sentada
(Matilde), outra a fazer o pino, uma terceira a andar de bicicleta e a última a
velejar. Os rostos daqueles corpos de meninos irrequietos são fotografias – uma
da própria Paula e as outras de seus familiares em crianças.
Ana Ferreira,
designer gráfica, também polvilhou o livro escrito por Luísa Ducla Soares com
as suas próprias referências. Neste caso, traçando o mapa da viagem que ela
própria fez até chegar a Tiago, um menino com paralisia cerebral. "Um
exemplo: desenhei uma estante com livros que têm escrito nas lombadas os nomes
das estações de metro de Milão. Porque foi lá que me cruzei com a pessoa que me
levou até à Luísa Beltrão, que por sua vez me permitiu encontrar o Tiago e
viver esta experiência marcante”.
Paula Ferreira
transformou o lenço com que o pai limpa a boca a Tiago num adorno à cowboy e
desenhou o menino tal como o vê e o conhece – “Um rapazinho que está numa
cadeira de rodas mas consegue voar – a cavalo ou mesmo sobre uma prancha de
surf”. Mas a história é outra. Luísa Ducla Soares ainda falou com a mãe de
Tiago, mas acabou por decidir concentrar na personagem várias pessoas com
paralisia cerebral que conheceu ao longo da vida.
“Cada escritor tem
as suas particularidades, as suas vivências, a sua maneira de responder a este
desafio”, comenta Luísa Beltrão.
Alice Vieira, por
exemplo, teve muita dificuldade em comunicar com João, uma criança autista. E
se se esforçou. “Convidou-nos a ir a casa dela e ficámos a conversar, enquanto
o João andava por ali, a mexer nas coisas e a pô-las a rodopiar”, conta a mãe
da criança, Helena Sabino. E Alice Vieira diz: “Eu estava a ouvir a mãe, a
vê-lo a brincar, no seu mundo, e a pensar: como é que eu chego até ele? Até que
a mãe disse que ele gostava de chapinhar nas poças de água e eu me lembrei de
um encontro anterior com o João, também numa acção da Pais em Rede, em que o
objectivo era tirar uma fotografia. Estava a ser igualmente difícil, até que
passou um avião, eu apontei, ele olhou e por uns momentos – apenas aqueles
momentos, uns segundos – eu senti que nos tínhamos encontrado”.
Na história, João,
por uns segundos apenas, comunica com uma menina que como ele gosta de saltar
nas poças de água da chuva. “Não aconteceu e ainda assim é, de alguma forma,
verdade – podia ter acontecido”, diz a mãe.
Em todos os casos
há uma forma de aproximação e em cada uma delas o caminho é diferente e resulta
em histórias com diferentes graus de comprometimento com a criança real.
Teolinda Gersão, escritora, e Carolina Arbués Moreira, designer, conheceram a
mesma Carolina, uma criança surda e cega. Ambas viram como uma heroína aquela
menina inteligente que comunica com a mãe através de toques nas mãos, que
escolhe a roupa para cada ocasião e a veste sozinha e que participa na vida familiar
de forma plena, ajudando, inclusivamente, nas tarefas domésticas.
Carolina Arbués
Moreira retratou-a como “uma heroína, que é o que ela é”, uma menina de olhos
fechados e braços longos, longos, capazes de abarcar o mundo e de o tornar seu.
Teolinda Gersão procurou transmitir o que viu de outra forma, mais convencional
e também, acredita, mais acessível aos pequeninos leitores. Na história, a
menina também uma heroína, acorda com a casa em chamas e dá o alerta que
permite que toda a família se salve.
Vasco Gargalo, que
ilustrou o livro Martim, um menino assim, escrito por José Luís Peixoto,
hesitou antes de decidir ser fiel às características físicas das crianças com
síndroma de Cornélia Lange, que têm pestanas longas, sobrancelhas tão compridas
que tocam uma na outra e o narizinho arrebitado. Depois, ainda mandou o esboço
à mãe de Martim. “Disse que faltava ali a vivacidade, o brilho e a alegria do
olhar de Martim. E tinha razão. Voltei a desenhar e ela ficou encantada”, conta
o ilustrador.
Aquela dúvida só
chegou depois de se ter encontrado com o rapazinho e de ter desfeito muitas
outras. Como agir? Descobriu fazendo. Pegando num pedaço de giz e cobrindo de
traços o quadro de ardósia que Martim não distingue das paredes quando desenha
“os seus mundos encantados”; e dançando como um louco as músicas que Martim
cria na própria cabeça. "Nunca um livro me provocou tantas emoções como
este”, diz Vasco Gargalo.
Os livros da
colecção Meninos Especiais, cuja edição é patrocinada por diversas instituições,
não são best-sellers. Não chegam às livrarias, só podem ser adquiridos por
encomenda directa (através do endereço electrónico encomendasmeninosespeciais@gmail.com)
– ainda assim, diz Luísa Beltrão, “já se venderam” 10 mil exemplares. São
considerados importantes, mas não menos que os próprios escritores e
ilustradores, a quem a experiência modifica e transforma numa espécie de
embaixadores da inclusão.
É que, no fim,
depois de ser difícil, o encontro torna-se fácil, explicam alguns. Vasco
costuma estar com Martim, que brinca com o seu filho, Henrique. Ana Ferreira
não descansou enquanto não soube se Tiago tinha gostado de se ver com o lenço à
cowboy – e gostou, soube pela mãe, com quem fala ao telefone.
Carolina Arbués
Moreira moveu mundos e fundos para que a menina surda e cega, não fosse a única
a não poder “ler e ver” o livro, e conseguiu que o Centro Helen Keller
produzisse dois exemplares em braille, com ilustrações em relevo, uma para ela
própria, outro para Carolina – “De repente, isso para mim tornou-se essencial.
E foi possível devido à generosidade de muitas pessoas. É um feito, o destas
crianças: têm a capacidade de juntar as pessoas, de as envolver de as fazer
mexer”, descreve Carolina Arbués. Diz que só sabe disso quem as conhece – cada
vez mais gente.
Gustavo Teixeira, psiquiatra da infância e adolescência, selecionou os 25 desvios que mais acometem as crianças brasileiras e colocou-os no Manual dos Transtornos Escolares – primeiro guia nacional a dar dicas a pais e educadores sobre sintomas e tratamentos.
O livro é o primeiro guia nacional a dar dicas a pais e educadores sobre os sintomas e os tratamentos desses transtornos dentro do ambiente escolar. “Senti a necessidade de escrevê-lo há alguns anos, quando comecei a dar cursos e palestras. Antes dele, não existia nenhum outro no Brasil que abordasse os principais transtornos de comportamento na infância. Estima-se que 10 a 20% das crianças e adolescentes do mundo precisam de algum tipo de ajuda na área mental. É um conhecimento que os pais e educadores precisam ter”, explicou Gustavo em entrevista a CRESCER.
Como dar resposta às perturbações da leitura em qualquer fase da vida deSally Shaywitz; Coordenação: Luís De Miranda Correia
Sinopse
Vencer a Dislexia é,
até à data, o livro mais abrangente, atualizado e prático para nos ajudar a
compreender, a identificar e a vencer os problemas centrados na leitura que
assolam as crianças da atualidade. Este livro, para uma em cada cinco crianças
que tem dislexia e para os milhões de outras que lutam para lerem ao nível do
ano de escolaridade em que se encontram - e para os pais, professores e tutores
-, pode fazer a diferença.
A Doutora Shaywitz, uma das
especialistas mundiais em leitura e dislexia, elucida os pais acerca do que
podem fazer pela criança disléxica ano após ano e passo a passo. Estabelece um
programa para desenvolver a leitura e a implementar em casa, orienta os pais na
escolha da melhor escola para o seu filho e no trabalho que podem fazer com os
professores e sugere formas de desenvolver e de preservar a autoestima da
criança. Apresenta exercícios, apoios ao processo de ensino, informação acerca
de programas informáticos e outros valiosos recursos para professores e outros
profissionais.
Para
além disso, o seu livro corrige mitos populares (e lesivos) como, por exemplo,
a crença de que a dislexia é um problema essencialmente masculino, a noção de
que as crianças com dislexia veem as palavras invertidas e que a dislexia está
associada à inteligência. Mostra-nos como é que, apesar de a dislexia não poder
ser curada, os seus efeitos podem ser vencidos, graças a cuidadosa planificação
e a trabalho árduo.
O Som das Cores é a primeira história desta coleção, e é ela própria um hino à inclusão. Um livro onde os personagens das ilustrações fazem língua gestual portuguesa (LGP) e contém os abecedários em LPG e em Braile, para as crianças aprenderem a falar com as mãos e a escrever picotando numa língua diferente. Inclui ainda um DVD lúdico-pedagógico, com o videoclip da música original feita a partir da história. O DVD é também audiolivro, pois a história é contada em LGP e sonorizada. Aqui os surdos veem. Os cegos ouvem.
Em cada 100 crianças, três a cinco serão sobredotadas. Como estão a ser acolhidas na sua diferença?
Os pais, perante o comportamento dos seus filhos, sentem necessidade de obter respostas para as suas dúvidas, de procurar esclarecimento e orientação. Nas escolas, aceitam-se mitos que a pesquisa já derrubou.
A inércia continua amparada por uma certa crença de que estas crianças não precisam de atenção especial, podendo educar-se por si.
Este livro pretende, por isso, ajudar os pais a familiarizarem-se com o conceito de sobredotação e dar a conhecer formas de promover um desenvolvimento salutar, tanto afetivo como educativo. De certa forma, esperamos que possa também servir de alerta aos decisores políticos, dando-lhes a conhecer as necessidades particulares destas crianças.
Mesmo contando com o apoio das instituições, cabe-lhe a si, enquanto mãe ou pai, apoiar o crescimento do seu filho ou filha, encaminhando-o no sentido da felicidade.
O Estranho Caso do
Cão Morto é muito divertido. Conta a história de Christopher Boone, um miúdo
autista, com apenas 15 anos que vive enredado no seu próprio mundo, longe de
tudo e de todos. Possui uma memória fotográfica e é um aluno excelente a
matemática e a ciências mas detesta o amarelo e o castanho e não suporta que
alguém lhe toque. Absorvido pela sua doença, Christopher desperta um dia quando
encontra o cão da sua vizinha morto, no meio do jardim, com uma forquilha
atravessada. A partir daqui nunca mais será o mesmo pois só descansará quando
descobrir quem cometeu tão atroz crime. Uma obra de humor irónico, que irá em
breve ser adaptada ao cinema, pois os direitos para filme foram já adquiridos
pelos produtores de Harry Potter, contando com Brad Pitt como actor.
Críticas de imprensa
O Estranho Caso do
Cão Morto é um livro onde se aprende
a ver o mundo de um ponto de vista a que poucas vezes temos acesso. E
aprende-se a fazê-lo sem a comiseração que quase sempre se associa ao autismo,
o que permite compreender as preocupações diárias e a organização mental de quem
vive com o facto. Além disso, é uma narrativa bem construída e com capacidade
para prender a atenção do leitor até ao fim. É certo que é isto que garante um
best-seller, mas nem todos os best-sellers garantem o mesmo interesse que este.
Vale, por isso, a pena ler."
Esta é uma outra maneira de conhecer a Síndrome de Asperger
- no Feminino.
Bem sabemos da dificuldade que existe no diagnóstico da Síndrome
de Asperger nas raparigas. Quantas vezes por detrás de uma rapariga
"tímida e recatada", está uma rapariga com Asperger absolutamente
incompreendida? Este livro, para além de ter sido escrito por especialistas no
assunto, tem um valor inestimável, pois relata-nos experiências na primeira
pessoa. São estas experiências que nos vão levar, sem dúvida, a uma melhor e
mais fácil compreensão da Síndrome de Asperger no Feminino.
Antunes, N.L.
(2009) “Mal-entendidos - Da Hiperactividade à Síndrome de Asperger, da Dislexia
às Perturbações do Sono. As respostas que procura. ”Ed: Verso de Kapa
"Recentemente
deparei-me com o novo livro do Prof. Dr. Nuno Lobo Antunes, que aborda as Perturbações
do Desenvolvimento Infantil, “Mal-entendidos - Da Hiperactividade à Síndrome de
Asperger, da Dislexia às Perturbações do Sono”. O título, só por si sugestivo,
levantou-me alguma curiosidade, mas a reputação do autor fez o resto.
O Prof. Dr. Nuno
Lobo Antunes é Neurocirurgião de créditos reconhecidos e descreve-nos, no seu
livro, casos verídicos de crianças/jovens, com um desenvolvimento atípico,
cujos comportamentos durante muito tempo foram encarados como inexplicáveis. O
autor procura esclarecer e dar resposta às inúmeras dúvidas que se apoderam de
quem trabalha/intervém directa ou indirectamente com estas crianças/jovens.
Ao lê-lo, vemo-nos
envolvidos por um misto de sentimento e razão, mas sempre abordado de forma
correcta do ponto de vista científico, junta-se a este facto a autenticidade e
a emotividade dos casos relatados.
Como é afirmado no
livro “devem existir em Portugal cerca de cem mil crianças com perturbações de
desenvolvimento” (p.16), daí ser imprescindível tanto a divulgação, deste
facto, como a tomada de atitude perante o mesmo. É fundamental que os
diagnósticos sejam precisos (ou o mais possível), que a intervenção seja o mais
precoce e coerente possível e acima de tudo que exista uma grande interacção
entre todos os meios/agentes envolvidos, para que não aconteçam perdas/danos
para a criança.
Este é um livro que
desmistifica de forma “simples” alguns “mal-entendidos” bem visíveis na nossa
sociedade. As crianças de que o Prof. Dr. Nuno Lobo Antunes nos fala são
“crianças…iguais a todas as outras. São novelos de fios de várias cores. Se só
virem uma, é bom que olhem outra vez” (p.237). É fundamental haver uma maior
intervenção/inclusão da sociedade civil, para que dessa forma possamos falar de
uma verdadeira integração destas crianças/jovens.
É certo que “Por
vezes o Capuchinho Vermelho perde-se no bosque e não há beijo que resgate a
Bela Adormecida”, mas compete-nos a nós, agentes intervenientes no processo de
desenvolvimento de crianças/jovens, lutar para que existam “histórias que
tenham um final feliz”. “E não deixem o Espelho Mágico dizer a nenhuma criança
que há alguém mais belo que ela”( Sinopse ).
Estamos perante um
livro cativante, repleto de informação e dotado de um carácter humano de
louvar.
Por: Nelson Santos
Publicado nos
Cadernos de Educação de Infância, n.º 90
A viagem de uma mãe ao mundo do autismo. “Este é o livro
que espero que corra o mundo. Foi para o escrever que nasci."
Quando ouvimos falar da famosa modelo e atriz Jenny
McCarthy, companheira de Jim Carrey, somos de imediato remetidos para o
fantástico mundo das celebridades, do charme e do glamour. No entanto, a vida de Jenny não se distingue da de
qualquer outra mãe.
Tudo começou numa manhã igual a tantas outras, à exceção
de se ter deparado com um ataque convulsivo do seu filho Evan, então com 2
anos. Teve então início a atormentada odisseia de visitas a hospitais, que
culminaram com a terrível realidade: “Lamento imenso, o vosso filho tem
autismo.”
Longe de uma sentença, o diagnóstico representou o início
de uma longa jornada na busca de uma cura para o autismo. Uma viagem feita de
coragem e de fé, pela qual a autora nos conduz pelos meandros do “assombrado” mundo
das crianças autistas, até, através de novas terapias e tratamentos, conseguir vislumbrar
a luz ao fundo do túnel.
Porque, quando o nosso filho é diagnosticado com autismo,
toda a nossa vida se altera.
Trata-se de um manual prático, dirigido a pais e
professores, mas também diretamente às crianças e jovens com síndrome de
Asperger, com o objetivo de lhes dar a oportunidade de se compreenderem a si
próprios.
Inclui sugestões, estratégias e exercícios práticos sobre
vários temas. Maneiras de pensar, experiências dos sentidos, talento artístico,
pessoas, compreensão dos outros, pensamentos, comunicação, escola, amigos,
sentir-se perturbado, etc…