(RTP/09 Fev, 2017)
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Hiperatividade, ciência versus facebook
Nem tudo
o que mexe é hiperativo, nem todos os que sonham têm défice de atenção. Mas
destruir um fármaco com “cultura de facebook” é demasiadamente leviano
Houve um
aumento na prescrição de metilfenidato para o dobro, entre 2010 e 2014. Podem
existir várias explicações, desde exagero de prescrições até melhor diagnóstico
e medicação de crianças e jovens que necessitavam mas não o estavam a tomar.
Por outro lado, o melhor conhecimento dos problemas de dispersão, falta de
concentração e atenção, e de hiperatividade pode justificar o aumento.
Especulação à parte, o que se sabe, sim, é que embora haja crianças medicadas
inutilmente, é grande o número das que precisam e não estão medicadas e, entre
as que estão, a esmagadora maioria colhe benefícios.
Recomenda-se
este fármaco quando há uma perturbação da concentração e atenção que afete a
vida das crianças de forma significativa, para lá do normal cansaço, má gestão
dos estímulos artificiais que desviam a atenção ou da irrequietude natural das
crianças e jovens, sobretudo do sexo masculino. Nem tudo o que mexe é
hiperativo, nem todos os que sonham têm défice de atenção! As crianças, vivendo
num mundo “entre quatro paredes”, precisam de se expandir, de se mexer. No
entanto, a incapacidade de concentração num estímulo, sobretudo abstrato,
desviando--se para “qualquer mosca que passe” faz com que a criança retire
muito pouco das aulas, se sinta mais distante do “filme” que está a passar na
sala de aula e invente outras coisas, mexendo-se, perturbe os outros e se
comporte de modo hiperativo, sendo disruptivo para a aula e prejudicando
gravemente o seu próprio processo de aprendizagem, ou então mergulhe na sua
vida interior e se abstraia. Acresce que estar constantemente a ser admoestado
e de castigo, ver as notas aquém do que sabe ser possível, ler apenas metade do
cabeçalho e responder impulsivamente de modo incompleto, diminuem a autoestima,
causam tristeza e geram problemas sociais e psicológicos.
Os benefícios da terapêutica, que pode ser instituída por um pediatra ou neuropediatra e que não necessita de ser baseada em testes e exames, vão ajudar o processo de aprendizagem e permitir à criança o desenvolvimento das suas capacidades.
Os benefícios da terapêutica, que pode ser instituída por um pediatra ou neuropediatra e que não necessita de ser baseada em testes e exames, vão ajudar o processo de aprendizagem e permitir à criança o desenvolvimento das suas capacidades.
O
argumento de que “é um químico” é anedótico porque o cérebro funciona,
exatamente, com mediadores químicos, e nos casos de hiperatividade e défice de
atenção, dispersão e impulsividade, esse mediador está em falta. Com o
crescimento o cérebro arranjará outras formas de funcionamento e não é precisa
medicação para a vida toda, como alguns ignorantes dizem. Além disso, é boa
prática as crianças interromperem a medicação nas férias letivas; a ideia de
que se fica “preso a uma droga” é mais um dos mitos urbanos veiculados na
Internet.
Quanto a contraindicações, nas redes sociais há pessoas que gostam muito de dizer que “é veneno”. Dá vontade de rir – leiam a bula do ibuprofeno ou do paracetamol, que dão aos vossos filhos e verão a “galeria de horrores”. Com o metilfenidato os efeitos colaterais são raros e, salvo exceções, resumem-se a situações transitórias e breves de baixa de apetite ou pequenas insónias.
Quanto a contraindicações, nas redes sociais há pessoas que gostam muito de dizer que “é veneno”. Dá vontade de rir – leiam a bula do ibuprofeno ou do paracetamol, que dão aos vossos filhos e verão a “galeria de horrores”. Com o metilfenidato os efeitos colaterais são raros e, salvo exceções, resumem-se a situações transitórias e breves de baixa de apetite ou pequenas insónias.
O
metilfenidato não dá “superpoderes”, apenas faz render melhor as capacidades
naturais a estas crianças. Não ficarão engenheiros, pianistas ou escritores com
o medicamento se não tiverem esses talentos, mas podem nunca vir a ser
engenheiros, escritores ou pianistas, tendo esses talentos, por não conseguirem
estudar, concentrar-se e andarem toda a escolaridade a saltitar de “mosca para
mosca”, irritando os professores, enervando os pais e diminuindo a sua
autoestima. E se pensássemos numa coisa chamada Ciência? Talvez valha mais do
que o diz-que-diz das redes sociais…
LEIA TAMBÉM:
Vencer o desafio da hiperatividade
“Estamos a exagerar no diagnóstico da hiperatividade”
Este país não é para anjos
http://www.paisefilhos.pt
Mário Cordeiro, pediatra, Fevereiro 2017
Mário Cordeiro, pediatra, Fevereiro 2017
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Reportagem Especial - O meu lugar não é aqui
Duarte, Rodrigo, Jorge, David e Pedro. São cinco jovens em idade escolar, com uma característica especial: são todos ‘sobredotados’. Todos sentiram, em algum momento do percurso académico, que a escola não respondia às suas necessidades. A Reportagem Especial desta semana mostra-lhe os desafios que enfrentam os alunos ‘sobredotados’ nas escolas portuguesas.
Por Blog De Arlindo
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
25 máscaras de feltro para economizar na fantasia das crianças
Haja criatividade para inovar na folia com os pequenos. Opções de caracterizações divertidas não faltam, mas nem sempre aquela que mais gostamos é a mais adequada. Roupas com muitos apetrechos ou penduricalhos, por exemplo, podem deixar os pequenos desconfortáveis e atrapalhar a brincadeira. As máscaras são uma ótima alternativa para isso, pois com poucos recursos elas já compõem o visual.
Por isso, o Catraquinha preparou uma lista de máscaras feitas de feltro que você pode reproduzir em casa e economizar na folia com muita criatividade e imaginação. Inspire-se...
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
A mais dura disciplina do curso: acompanhar famílias especiais
Programa de apoio a famílias com crianças com deficiências profundas arrancou nesta semana em Leiria, dedicado aos estudantes do ensino superior. Vinte voluntários inscritos.
"Quem
é o rapaz mais giro da sala, hã?" À pergunta da professora Graça Morgado
respondem os sorrisos de Yulian e David. É uma das poucas formas que têm de
comunicar com o mundo, ambos com paralisia cerebral, 8 anos de vida, duas das
seis crianças que frequentam a Unidade Especializada de Apoio à
Multideficiência, numa sala da Escola Correia Mateus, em Leiria.
É janeiro frio e o primeiro dia de
Adriana como voluntária do programa de Apoio a Famílias Especiais. A partir de
agora, pelo menos uma vez por semana, a jovem estudante do primeiro ano de
Terapia da Fala vai ajudar a cuidar daquelas crianças, pronta para encarar a
alimentação por sonda, as fraldas, as crises. Dias antes, numa sala de reuniões
da Câmara de Leiria, entre cerca de 20 voluntários inscritos, foi ela a única
que se prontificou a ingressar naquela que será a mais "dura" das
três salas que integram este programa.
IN dn, 27 DE JANEIRO DE 2017
Veja o artigo na íntegra AQUI
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Registados 7200 novos casos de hiperatividade por ano no país
É a perturbação mental mais vezes identificada em crianças e jovens.
A hiperatividade é a perturbação mental mais diagnosticada em menores de idade. Estima-se que afete 7 por cento de todas as crianças e adolescentes em Portugal, o que corresponde a cerca de 120 mil situações identificadas. Todos os anos são diagnosticados cerca de 7200 novos casos.
Com frequência, a hiperatividade e défice de atenção são confundidos com a falta de concentração – por falta de empenho – e comportamento indisciplinado – por falta de educação dada pelos pais. A hiperatividade caracteriza-se pela impulsividade, dificuldade da pessoa em manter a atenção e o autocontrolo.
Uma pessoa hiperativa sente ainda dificuldade em gerir a frustração e as funções cerebrais que permitem atingir objetivos, como a capacidade de planeamento, memória de trabalho, organização e a gestão de tempo. Este tipo de perturbação neurológica afeta ambos os géneros, embora haja alguma diferença na manifestação dos sintomas.
"Os rapazes são mais agitados e, como tal, os sintomas de agitação motora são mais marcados e evidentes. As raparigas apresentam sobretudo sinais de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos, porque não perturbam o outro", diz (...) Rita Silva, neurologista no Hospital D. Estefânia (Lisboa).
A hiperatividade não é a característica mais marcante ou a que causa maior desajustamento, mas sim a desatenção, que, ao manifestar-se nos diferentes contextos sociais, tem um impacto na qualidade de vida, incluindo no rendimento escolar.
22-01-2017, In CM Sociedade
"Inclusão é sempre o ideal para o autista", diz neurologista
Radicado nos Estados Unidos há mais de 30
anos, o neurologista porto-alegrense Carlos Gadia é referência em autismo —
transtorno de alta complexidade que afeta a interação social e a comunicação.
Gadia, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalha
como diretor associado do Dan Marino Center, na Flórida, instituição criada a
partir de uma doação milionária do famoso ex-jogador de futebol americano que
dá nome à instituição — Marino é pai de um autista.
De
passagem por Porto Alegre na última semana, Gadia conversou com o Vida sobre o
diagnóstico e o tratamento do transtorno, caracterizado por comportamentos
repetitivos e estereotipados, e ressaltou as principais dificuldades
enfrentadas por profissionais e famílias no Brasil. De acordo com o
especialista, há razão para otimismo na área científica: a manipulação genética
logo deverá permitir abordagens individualizadas:
— Num
futuro bem próximo, será possível identificar, para uma criança específica, as
substâncias que podem ser utilizadas para tentar normalizar a função neuronal.
Isso poderá servir para diminuir a severidade dos sintomas ou, em algumas
situações, ter um efeito mais generalizado no funcionamento cerebral. Haverá
uma revolução.
Entrevista:
Ainda é
difícil diagnosticar o autismo?
Em
termos mundiais, o diagnóstico está se tornando cada vez mais precoce. No
Brasil, existe ainda um déficit bastante grande na formação médica. O autismo
raramente é citado durante a formação, nem aparece no currículo de faculdades
de profissionais afins, como as de fonoaudiologia, terapia ocupacional ou
psicologia. Existe uma necessidade muito grande de mudar isso. Mas o autismo já
é, relativamente, de fácil identificação.
Os casos diferem muito entre si. Isso dificulta a identificação?
Até
dois anos atrás, a classificação do autismo no DSM (Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais, na sigla em inglês) gerava uma grande
confusão entre as famílias e os profissionais de saúde. Existiam definições de
autismo, síndrome de Asperger, transtorno global do desenvolvimento. No DSM 5,
isso foi substituído por um termo único, o transtorno do espectro do autismo.
Agora estamos falando de um espectro muito amplo: temos desde crianças
severamente afetadas, que não se comunicam e praticamente não têm nenhum tipo
de interação social, até crianças que falam e têm capacidade de interação
social. As mais severamente afetadas são mais facilmente reconhecidas. No
passado, o que ocorria é que um número razoável dessas crianças acabava sendo
considerada como tendo retardo mental, e se perdia o diagnóstico de autismo. A
mudança da classificação foi muito útil, mas existem ainda dificuldades no
diagnóstico e na avaliação das crianças mais funcionais.
A que
sinais os pais e a escola devem estar atentos?
Historicamente,
o que mais chama a atenção dos pais é o atraso na fala ou a ausência da fala.
Infelizmente, em algumas situações, ainda existe a tendência de se tomar a
atitude de esperar para ver. Não é incomum, diante de uma criança de dois anos
que ainda não esteja falando, que o profissional diga para esperar até os três
anos, ou que "meninos falam mais tarde do que meninas", ou
"conheço várias crianças que também não falavam". Isso é inaceitável.
Existem padrões claros do que é aceitável em termos de comunicação. Crianças
que não estão falando palavras simples até os 12 meses de idade: isso não é
aceitável, não é normal. É totalmente anormal e não aceitável crianças de dois
anos não colocarem duas palavras juntas. Depois que elas são avaliadas, em
geral os pais, em retrospecto, se dão conta de que antes já havia outros
sinais: a criança não estabelecia contato visual, não respondia quando era
chamada pelo nome, tendia a se isolar.
A
escola regular é sempre o melhor lugar para o autista?
A
inclusão é sempre a situação ideal. No entanto, requer que a escola esteja
preparada para oferecer àquela criança o que ela necessita. Simplesmente
colocá-la numa classe regular, sem nenhum tipo de intervenção apropriada, não é
inclusão, é exclusão. A ideia de que todo autista deve ser incluído desde o
início só é correta quando as escolas podem oferecer as intervenções
necessárias. Infelizmente, no Brasil, isso é uma raridade.
In HZ Vida e Estilo
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Défice de atenção e perturbações do comportamento na escola e em casa: medicar ou não medicar?
É uma questão tão difícil de responder como a da pertinência de um antibiótico numa infecção. Há toda uma série de perguntas que precisam de ser respondidas primeiro.
Uma questão recorrentemente levantada por educadores, professores, pais, familiares e técnicos tem que ver com o uso de medicação em casos de "hiperatividade", quebra de rendimento escolar, modificações de humor e alterações do comportamento.
Toda a gente foi construindo alguma opinião a este respeito, informada por familiares, técnicos e, sobretudo, pela Internet. O ruído à volta deste tipo de questão pode ser particularmente alto, importando dados que muitas vezes não foram comprovados ou que já há muito foram desmentidos.
E não são só os leigos nestas matérias que podem ter opiniões baseadas em factos erróneos. Há cerca de um ano, quando a questão do excesso destas medicações dispensadas no nosso país foi levantada, alguém com responsabilidades nesta área descreveu o efeito "calmante" como o objetivo procurado pela medicação... estimulante!
Uma situação assim complexa não pode ser abordada de forma simples, e não se pode confundir sintomas, conjuntos de sintomas, perturbações e patologias.
In Público
Leia AQUI o texto na íntegra
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Não tenha medo de errar, arrisque!
"Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia!"
Paulo Coelho
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
V Congresso Internacional EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E INOVAÇÃO
A Pró-Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial vai realizar
V Congresso Internacional EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E INOVAÇÃO,
em Lisboa, nos dias 6, 7 e 8 de julho de 2017.
em Lisboa, nos dias 6, 7 e 8 de julho de 2017.
1– Organização da Escola e Recursos
2– Direitos Humanos e Cidadania
3– Inovação Educacional e Inclusão
4– A relevância das Lideranças
5– Políticas Educacionais, Inclusão e Inovação
Data limite para apresentação de propostas de comunicação: 17 de março de 2017
Para mais informações, aceda a: Website do V Congresso Internacional da Pró-Inclusão
Por INCLUSO, publicada por João Adelino Santos
Por INCLUSO, publicada por João Adelino Santos
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Para estar junto, não é preciso ser igual!
Pedra, papel e tesoura!
Uma linda mensagem contra o bullying e as diferenças.
Uma linda mensagem contra o bullying e as diferenças.
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