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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Propaganda, manipulação e formação “à maneira”

 


1. O Ministério da Educação divulgou uma síntese de resultados (Educação Inclusiva 2020/2021) conseguidos pelas escolas públicas, no domínio dos apoios à aprendizagem e à inclusão. Está lá um quadro que compara as taxas globais de transição/conclusão dos diferentes ciclos de estudo com as mesmas taxas relativas aos alunos alvo das chamadas medidas selectivas e/ou adicionais (linguajar do DL 54/2018). Todas são excelentes, bem acima dos 90%, em todos os ciclos de estudo e nos dois grupos: o global e o dos alunos com necessidades educativas especiais (linguajar antigo, do século XX).

Só que há um problema, quando cruzamos estes maravilhosos dados com outros, do insuspeito Iave [Instituto de Avaliação Educativa] (provas de aferição de 2021). Com efeito, sobre a prova de Português e Estudo do Meio, do 2.º ano, disse o Iave que, na “análise e avaliação do conteúdo” de um texto, a percentagem média de respostas correctas se situou nos 19% e que apenas 7,8% dos alunos responderam de forma inteiramente correcta, ou seja, “apresentaram uma explicação fundamentada, analisando as ideias e construindo um raciocínio”. E disse ainda que, em Matemática, os alunos do 2.º ano e do 8.º evidenciaram dificuldades persistentes na “resolução de problemas” e, no 5.º e no 8.º, na maioria dos domínios analisados, a percentagem de alunos que respondeu sem dificuldades ficou aquém dos 20%, registando-se domínios onde não superou os 2,7%.


Termos em que a conclusão é óbvia: os excelentes resultados globais, apresentados pela desvergonha propagandística de um serviço são caricatamente resumidos, por outro serviço, à mediocridade que a soma das partes evidencia.

A manipulação dos resultados educativos, superestimando o que realmente os alunos aprendem, é absurda e irracional. Mas tudo continua porque na Educação há um padrão recorrente nas políticas do Governo: perante os factos problemáticos, não procura soluções; prefere alterar os factos, manipulando os dados, para escamotear a realidade.

2. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Segurança Social processou menos 45 mil pagamentos relativos a subsídios de educação especial, que se destinam a crianças com dificuldades educativas severas, isto é, cortou, não certamente em nome da propalada educação inclusiva, um em cada quatro subsídios requeridos.

Quem está no sistema (professores de educação especial, terapeutas e, naturalmente, pais) sabe das dificuldades com que tem de lutar para garantir aos alunos o cumprimento de um direito constitucional básico, qual seja o direito à educação. Será que quem assim decide sente o mesmo? Ou achará, outrossim, que há que regular “privilégios” porque, embora não estejamos em austeridade (vocábulo proibido), para doar 250 milhões à Ucrânia e 50 à Polónia, temos de “economizar” nalgum lado? 

(...)

4. Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita, disposta a sacrificar os progressos recentes do sistema nacional de ensino. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho. Os mais ansiosos, os mais precários, os detentores de saberes menos sólidos, os mais compreensivelmente descontrolados pela ausência de futuro e os mais oportunistas vão aderindo à estratégia da seita e estabelecendo com ela o vínculo social que lhes faltava.

Santana Castilho



segunda-feira, 13 de junho de 2022

Jornal Escolar "Pingos de Escrita" - AE Tondela Cândido Figueiredo

 3ª edição do Jornal Escolar da minha Escola Cândido de Figueiredo!

Um excelente projeto, com grande qualidade editorial! 

Informar e educar pelo exemplo nunca foi uma tarefa fácil, mas ao ler o "Pingos de Escrita" sente-se o conforto e a gratificação de se estar no caminho certo! 

Inclui uma reportagem do Departamento de Educação Especial!

Muitos parabéns!


Para ter acesso ao Jornal, descarregue aqui ....

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Estudantes com necessidades especiais estão em turmas grandes de mais


Antes eram apresentados como alunos com necessidades educativas especiais. Com o novo diploma da educação inclusiva, aprovado em 2018, passaram a ser alunos com relatório técnico-pedagógico. Nas 97 escolas avaliadas pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência, do 1.º ao 3.º ciclo mais de 50% das turmas tinham alunos nestas circunstâncias, mas nem sempre foram acauteladas as condições de promoção da sua inclusão.

Como acontecia com os alunos NEE, também estes estudantes devem estar integrados em turmas reduzidas quando o seu relatório assim o determine. No caso em turmas com um máximo de 20 alunos e não mais de dois com necessidades especiais. A IGEC constatou, no entanto, que 30,8% das turmas do 5.º ano com alunos com relatório técnico-pedagógico não cumpriam nenhuma destas condições.

Era também o que já acontecia antes da aprovação da nova legislação da educação inclusiva que substituiu a da educação especial. A este respeito, a IGEC deixa o seguinte alerta: “A elevada percentagem de turmas assim constituídas, observada igualmente em anos anteriores em todos os níveis de educação e ensino, constitui um óbice ao desenvolvimento de estratégias de diferenciação pedagógica e prejudica o direito a uma educação inclusiva que responda às necessidades individuais destes alunos em efectivas condições de equidade.”

A IGEC aponta ainda que este facto “revela a existência de dificuldades na sua integração [dos alunos com relatório técnico-pedagógico] no conjunto das turmas de cada escola, mas poderia, nalguns casos, ser evitado aquando das matrículas com uma diferente distribuição dos alunos pelos estabelecimentos de ensino que integram cada um dos agrupamentos de escolas”.

Das 6764 turmas existentes nas escolas avaliadas, 44,2% tinham alunos com relatório técnico-pedagógico, que é o documento onde são identificadas as dificuldades do estudante e se “fundamenta a mobilização de medidas selectivas e ou adicionais de suporte à aprendizagem e à inclusão.”. No 2.º ciclo, a percentagem de alunos com RTP nas escolas visitadas pela IGEC sobe para 66,2%.

No seu relatório relativo ao ano lectivo de 2020/2021, a inspecção destaca também que “12,4% das escolas intervencionadas não estavam a executar todas as medidas definidas nos relatórios (14% no ano anterior), afectando 2,4% destas crianças e alunos (2,1% no ano anterior)”. E acrescenta que esta falha “é justificada pelos directores com a insuficiência de recursos humanos específicos”.

Entre as propostas que a IGEC fez seguir para o Ministério da Educação figura a necessidade de se dotar as escolas “com os recursos específicos necessários à operacionalização das medidas previstas” na lei de forma a garantir” a todas as crianças e alunos o direito a uma educação inclusiva que responda às suas potencialidades, expectativas e necessidades”.

In https://www.publico.pt/2022/04/30/sociedade/noticia/estudantes-necessidades-especiais-estao-turmas-2004373 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Jack Ma: Teach Soft Skills, Not Knowledge, to Compete with Machines

"We need to be teaching our children values, believing, independent thinking, teamwork, care for others...these are the soft parts."

 “Only by changing education can our children compete with machines.”  That’s what Jack Ma, founder of Alibaba believes.  Alibaba is China’s largest e-commerce company. On some measures it is bigger than Amazon.com.

Speaking at the World Economic Forum in Davos, Switzerland, Mr Ma said, “We cannot teach our kids to compete with machines.  Teachers must stop teaching knowledge. We have to teach something unique, so a machine can never catch up with us.”

Don’t teach knowledge based things from the past 200 years

He continued, “Education is a big challenge now.  If we don’t change the way we teach, we will be in big trouble in 30 years from now.  Because the way we teach, the things we teach our kids, are the things from the past 200 years – its knowledge based. We need to be teaching our children values, believing, independent thinking, teamwork, care for others...these are the soft parts. The knowledge will not teach you that.” 

Pode ler o artigo na íntegra AQUI


domingo, 15 de agosto de 2021

Estudo revela que um em cada quatro jovens tem sintomas de depressão elevados

Um estudo de análise, efectuado à escala global, estima que um em cada quatro jovens (25,2%) tem sintomas de depressão elevados e um em cada cinco (20,5%) apresenta sintomas de ansiedade altos devido à pandemia da covid-19. O trabalho, uma metaanálise de 29 estudos em que participaram 80.879 jovens de várias regiões do mundo, foi realizado por cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, e publicado na revista científica JAMA Pediatrics.

Em comunicado, a universidade realça que os sintomas de depressão e ansiedade duplicaram, em comparação com as estimativas de pré-pandemia, nas crianças e adolescentes. Segundo a metaanálise, que incorpora estudos da Ásia Central, Europa, Médio Oriente e das Américas do Norte, Central e Sul, são as raparigas e os jovens mais velhos quem demonstram níveis mais elevados de depressão e ansiedade.

Com base em estudos anteriores sobre doenças mentais na infância e adolescência, a investigação avança que o sexo feminino foi associado ao aumento dos sintomas depressivos e de ansiedade. A susceptibilidade biológica, baixa auto-estima, maior probabilidade de ter sofrido violência interpessoal e exposição ao stress associado à desigualdade de género podem ser factores que contribuem para este aumento.

“Estar socialmente isolado, afastado dos amigos, das rotinas escolares e das interacções sociais revelou ser muito duro para as crianças”, assinalou uma das co-autoras do estudo, Sheri Madigan, citada pela agência noticiosa Efe, enfatizando que os índices de ansiedade e depressão aumentam quando são impostas mais restrições.

Já a elevada taxa de depressão em jovens mais velhos pode estar relacionada com a puberdade e as mudanças hormonais, para além dos efeitos adicionais que o isolamento social e o distanciamento físico tiveram em crianças mais velhas que dependem da socialização com os colegas.

Outra das autoras, Nicole Racine, salientou que o “apoio social” dado aos jovens pelos amigos “diminuiu em grande medida ou, em alguns casos, faltou por completo durante a pandemia”, devido aos confinamentos prolongados. “Estes jovens não imaginavam que, quando se formassem, nunca chegariam a despedir-se da sua escola, dos seus professores ou amigos (...) e há um processo de luto associado a isso”, sustentou a psicóloga clínica.

A investigação refere ainda que o isolamento social contínuo, as dificuldades financeiras familiares, os marcos perdidos e as interrupções na escola possam estar a aumentar com o tempo para os jovens e a ter uma associação acumulativa.

O índice global de doenças mentais observados em crianças e adolescentes no primeiro ano da pandemia da covid-19 indica que “a prevalência aumentou significativamente, permanece alta e, por isso, requer atenção para o planeamento da recuperação da saúde mental”, lê-se no estudo. Por esta razão, ambas as investigadoras pedem mais apoios para a saúde mental de crianças e adolescentes em momentos críticos como uma pandemia.

Público - Lusa (através de Incluso)

domingo, 19 de abril de 2020

PLIP, O Projeto de Leitura Inclusiva Partilhada


O PLIP visa dar vida a livros que se encontram nas estantes das bibliotecas, oferecendo-os a novos leitores. Tal dá-se através da adaptação de obras originais ou já publicadas para que públicos com necessidades específicas possam chegar a elas através de versões em novos formatos: Livros em Braille e em alto-relevo (para pessoas cegas ou com baixa visão); audiolivros (para quem prefere ouvir); vídeo-livros em Língua Gestual Portuguesa (para os Surdos) e em formatos adaptados – pictogramas e versões simplificadas (para pessoas com incapacidade intelectual ou limitações de outra natureza).

Leia AQUI

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Ian, uma história comovente (2018)


Ian é um menino com deficiência e quer brincar num parquinho, apesar dos olhares e comentários das outras crianças e suas dificuldades em interagir com ele. O curta é inspirado na história de um Ian real. Sua mãe, autora de um livro e criadora da Fundação Ian, tomou como tarefa ensinar os responsáveis por fazer bullying com o filho uma importante lição a respeito da diversidade e da inclusão, tarefa esta que desembocou na criação do curta-metragem, uma parceria com o estúdio de animação latinoamericano MundoLoco.
O filme, deliberadamente sem falas para que a linguagem falada não fosse uma barreira para falantes de diferentes línguas e de diferentes idades – crianças e adultos podem assisti-lo -, é uma bela e importante reflexão a respeito da importância do respeito às diferenças e do quão significativo é, para uma criança com deficiência, habitar os espaços que desejar e brincar com outras crianças – mas não só isso: mostra também que, para crianças que não tenham deficiência, este é um exercício de cidadania que pode ser feito desde os primeiros anos de vida.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A Barbie Tornou-se Ainda Mais Inclusiva Com Uma Boneca Numa Cadeira de Rodas


Em 60 anos muito mudou, principalmente no que à Barbie diz respeito. A boneca tornou-se icónica com os seus cabelos loiros e pele clara, mas ao longo do tempo foi-se tornando cada vez mais inclusiva, numa procura por uma maior representatividade do mundo real. Ganhou curvas, outras etnias e culturas e até quebrou barreiras de género ao assumir profissões tradicionalmente associadas ao sexo masculino. Agora, a Mattel deu um passo além e adicionou à coleção uma Barbie numa cadeira de rodas e outra com uma prótese amovível.
In ELLE

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Aprofundar a inclusão com o que se sabe

Sempre se soube que desenvolver na escola atual valores e práticas inclusivas é uma tarefa complexa e polémica. A complexidade da tarefa deve-se ao facto de a escola não ter sido criada para ser inclusiva e o processo de a tornar inclusiva para todos os alunos é uma tarefa difícil e que não se pode resolver com uma única medida, ainda que saibamos que se pode influenciar através de um conjunto articulado, persistente e direcionado de ações. É hoje consabido que medidas políticas, medidas de formação e de apoio aos projetos que se desenvolvem nas escolas são medidas que poderão aprofundar a inclusão.

Mas a inclusão também é polémica, apesar de as instituições internacionais com maior compromisso com os Direitos Humanos e com maior representatividade de peritos em Educação apontarem inequivocamente para a necessidade “universal” de desenvolver e aprimorar a Educação Inclusiva. Lembraria a este respeito (e muito sumariamente) cinco destas contribuições: a primeira é oriunda das Nações Unidas que, na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (2006), cita explicitamente (art. 24.º) o direito a uma educação inclusiva para os alunos com deficiência. Outra referência é oriunda da UNESCO que, no recentemente publicado “A Guide for Ensuring  Equity  and  Inclusion  in  Education” (2017), aponta critérios para contribuir para o aprofundamento da Educação Inclusiva em todas as escolas. Falaríamos ainda da OCDE que, analisando sistemas educativos mundiais, aponta a inclusão como um fator de qualidade nos sistemas educativos (2017). Já neste ano de 2018, a Comunidade Europeia publicou uma recomendação sobre a “Promoção de valores comuns, educação inclusiva e a dimensão europeia de ensino” (Rec. 7/2018). A encerrar esta breve súmula evocaríamos o documento “Social Inclusion  of  Children  and Young People  with  Disabilities” (2013), do Conselho da Europa, onde se defende a educação inclusiva como meio fundamental para criar uma sociedade inclusiva.
In Público

Continuar a ler AQUI

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Coleção Gratuita: “A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar”


Esta coleção, produzida pelo Ministério da Educação, tem a finalidade de contribuir para a formação dos professores, bem como dar um contributo para o debate a respeito da escola inclusiva.
Para você fazer o download gratuito de cada fascículo, basta clicar nos títulos.
Clique AQUI

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Estaremos a dar todas as oportunidade para os nossos alunos expressarem todo o seu potencial?


Veja AQUI o vídeo

"Se uma criança não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender". Marion Welchmann

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Como falar de deficiência às crianças?

Há cinco anos, Teresa Coutinho escreveu um livro sobre Maria, a sua filha com paralisia cerebral, para explicar ao filho Lourenço porque é que a irmã era diferente, era especial. O livro está no Plano Nacional de Leitura, há excertos da obra em testes de Português do 1.º ciclo, foi lançado em Espanha há um ano. Maria entretanto cresceu, tem agora nove anos, e é uma menina feliz.

Um dia Teresa Coutinho, assessora de imprensa do Parlamento Europeu, ex-jornalista, decidiu satisfazer por escrito a natural curiosidade do filho Lourenço, então com 4 anos, que queria saber porque é que a irmã Maria, com paralisia cerebral, era uma bebé diferente e porque teve de ficar na incubadora do hospital – “a caixa” como lhe chamava – durante algum tempo. Lourenço queria saber porque é que a irmã tão pequenina já fazia ginástica, porque é que não segurava a cabeça, porque é que mal gatinhava aos dois anos. Teresa procurou livros, associações, panfletos. E a tarefa foi difícil. “Havia uma lacuna no mercado de livros em Portugal”, lembra. E assim nasceu o livro “Maria, A Alegria na Diferença” escrito pelo seu punho e ilustrado por Pedro Sousa Pereira, repórter e ilustrador. 

Um livro que se assume desde a primeira página como “um exemplo para explicar às crianças que nem todos nascem iguais”. E também “uma lição de vida para ensinar os adultos a lidar com a diferença”. Com textos curtos e desenhos coloridos página a página, Teresa Coutinho apresentou o livro em várias escolas públicas e privadas, nas dos filhos também. Valeu a pena, pelas reações, pela forma como os mais pequenos respondiam às questões, como partilhavam os seus pensamentos sem qualquer receio. “As crianças encaram o outro como igual, que a deficiência é uma diferença especial”, conta ao (...). “As crianças estão habituadas à diferença”, acrescenta. 

Texto na íntegra AQUI

quarta-feira, 25 de outubro de 2017