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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Teddy tinha 2 anos quando aprendeu a ler. Já pertence a uma sociedade de alto QI

 


Não é toda a gente que se pode orgulhar de saber contar até 100 em seis línguas, mas o feito torna-se ainda mais admirável quando se fala de uma criança de 4 anos.

Teddy Hobbs aprendeu a ler sozinho com 2 anos, durante a pandemia, e, recentemente, tornou-se o membro mais novo da sociedade Mensa, formada pelas pessoas com maior quociente de inteligência (QI) do mundo.

Depois do confinamento, quando Teddy Hobbs voltou à creche, a educadora ficou chocada ao perceber que o menino sabia ler. A mãe, Beth Hobbs, conta numa entrevista à Radio 4 da BBC que não sabia o quão inteligente era a criança e desconhecia se seria normal um menino daquela idade saber ler — Teddy é o seu primeiro filho com o marido Will.

“Lembro-me de o levar à escola um dia e dizer que achava que ele tinha aprendido a ler sozinho. A princípio, não acreditaram em mim”, recorda a mãe de Portishead, no Sudoeste de Inglaterra. A criança tinha então 26 meses.

Em Setembro de 2022, depois de Teddy saber contar até 100 em várias línguas e até ser capaz de ler livros como os de Harry Potter, levaram-no a fazer um teste de QI, antecipando a entrada para o pré-escolar. “Dissemos-lhe que se sentaria a fazer alguns puzzles com uma senhora durante uma hora. Ele achou que foi a melhor coisa do mundo”, recorda a mãe ao Metro.

A surpresa chegou com o resultado do teste. Com apenas 3 anos, Teddy tinha somado 139 pontos, quando a a maioria das pessoas pontua entre os 85 e os 115​. Para estabelecer comparação: o físico Isaac Newton, responsável pela teoria da gravidade, tinha um QI entre 190 e 200. Já Albert Einstein somava um quociente de 160, tal como Stephen Hawking.

Foi então que Beth e Will Hobbs souberam que o filho se podia juntar ao sector infantil da conceituada sociedade de inteligência Mensa. “Ficámos um bocadinho ‘como assim?’. Sabíamos que ele conseguia fazer coisas que os colegas não conseguiam, mas não tínhamos percebido o quão inteligente era”, recorda a mãe.

Apesar do choque inicial, os pais decidiram inscrever o menino com três e nove meses — tornando-se o membro mais jovem da sociedade internacional. No site da Mensa, explica-se que o teste de QI consiste na resolução de 35 problemas num tempo limite de 25 minutos.

Um génio em formação

Beth Hobbs confessa ainda não compreender como é que o menino atingiu este nível de inteligência em tão tenra idade, já que nem ela nem o marido são “linguistas”, nem particularmente inteligentes, conta, com humor. “Brincamos sempre a dizer que o médico que colocou o embrião deve tê-lo picado com uma agulha para ele ser assim”, elabora, lembrando que Teddy nasceu com recurso a fertilização in vitro.

Ser quase um génio aos 4 anos não é um mar de rosas, explica a mãe. Por exemplo, Teddy não tem qualquer interesse nos desenhos animados adequados à sua idade, nem na maioria dos jogos que os pais lhe instalam no tablet, oferecido recentemente, quando a irmã nasceu. Em vez de jogos, “prefere usar aplicações para tentar aprender a contar até 100 noutras línguas” — sabe fazê-lo em inglês, alemão, espanhol, francês, galês e mandarim.

A memória do menino também é de impressionar, relata Beth: “Não conseguimos esconder-lhe nada, ouve tudo. Lembra-se de conversas que tivemos com ele no Natal do ano passado.”

E não vale a pena soletrar uma palavra na esperança de o menino não a compreender: “As minhas amigas dizem ‘vamos comer b-o-l-o?’ e os filhos delas não sabem o que estamos a dizer, mas o Teddy vai responder imediatamente que também quer.”

Para entreter o menino, os pais tiveram, então, de ser criativos. “A ideia dele de diversão é sentar-se a recitar a tabuada”, exemplifica. Para prevenir que o filho desenvolva um “complexo de superioridade”, Beth diz tentar mantê-lo “humilde”. Até agora, celebra, Teddy ainda não percebeu o quão dotado é, quando comparado com os colegas de escola. “Os amigos sabem ler algumas letras do alfabeto, enquanto ele já conseguiria ler um Harry Potter.”

Tal não significa que Teddy leia as aventuras do feiticeiro criado por J.K. Rowling: “Escolhemos livros emocionalmente apropriados, mas ele está numa fase em que consegue ler qualquer coisa que lhe colocamos à frente”. Resta saber qual será o futuro do menino-prodígio.

Fonte: Público

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ALTAS CAPACIDADES E SOBREDOTAÇÃO: COMPREENDER IDENTIFICAR, ATUAR

 Download AQUI

Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS) Instituição Particular de Solidariedade Social acaba de publicar o livro ALTAS CAPACIDADES E SOBREDOTAÇÃO: COMPREENDER IDENTIFICAR, ATUAR.

Falar em altas capacidades e na educação dos alunos sobredotados é bem mais fácil hoje do que há algumas décadas atrás. A sociedade, e em particular a escola, está mais atenta às capacidades superiores de alguns dos seus membros, passando a reconhecê-las, a conviver com elas e a considerá-las nas suas práticas educativas. No caso concreto dos alunos sobredotados, a sociedade e a família passaram a reclamar das instituições educativas e de socialização espaços de maior atenção no seu desenvolvimento e aprendizagem singulares (Almeida, Fleith, & Oliveira, 2013). Assim, no âmbito de uma política social e educativa pautada pela equidade, a escola inclusiva deverá atender os seus alunos mais capazes, criando condições para a excelência na sua aprendizagem e rendimento académico.

Através de INCLUSO

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Reportagem Especial - O meu lugar não é aqui


Duarte, Rodrigo, Jorge, David e Pedro. São cinco jovens em idade escolar, com uma característica especial: são todos ‘sobredotados’. Todos sentiram, em algum momento do percurso académico, que a escola não respondia às suas necessidades. A Reportagem Especial desta semana mostra-lhe os desafios que enfrentam os alunos ‘sobredotados’ nas escolas portuguesas.

Por Blog De Arlindo

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sobredotados: "O apoio a estas crianças é uma necessidade a nível nacional"

Desde novembro que 27 crianças de Leiria participam no programa "Investir na capacidade". A partir do próximo ano as sessões vão estender-se aos pais

Como é que nasce este programa em Leiria para apoiar as crianças sobredotadas e respetivas famílias?
Os pais de um aluno procuraram-nos, porque estavam a sentir muitas dificuldades no acompanhamento do filho. Inclusive tinham recorrido à Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas, no Porto. Já existia lá um projeto semelhante a este, tal como em Nelas, com esta estrutura.

Já conhecia esses projetos?

Não, nunca tinha ouvido falar. Já tinha identificado esta necessidade na escola, enquanto docente. Percebi ao longo dos anos que estas crianças não têm qualquer acompanhamento. A escola está muito focada nas necessidades educativas especiais. São crianças desamparadas na resolução dos seus problemas e as famílias sofrem bastante, porque não têm orientação, por parte da escola ou de outros organismos. Quando me apareceram estes pais, e estando agora como vereadora e com capacidade de resolver problemas, falei com a associação. A professora Helena Serra ajudou-nos muito. Contactei com todos os diretores para podermos fazer formação a todos os professores do primeiro ciclo, sendo que, nos que aceitassem entrar no programa, todos os docentes do primeiro ciclo tinham de fazer formação.

Fonte: DN

Sobredotados: "O xadrez e a dança ajudam a entender a sociedade e a escola"

Desajustados, mas com capacidades acima da média. É a realidade de milhares de jovens na escola onde não recebem apoio

Nos olhos azuis de João cabe toda a curiosidade sobre o mundo inteiro e mais além. É um rapaz franzino no seu corpo de 9 anos, que começou a falar pelos cotovelos ainda bebé, como notavam as educadoras e auxiliares da creche. Os pais não tinham mais nenhum filho e por isso o termo de comparação não existia. Achavam tudo normal.

E assim foi, até que entrou no primeiro ano do ensino básico, numa escola de Leiria, e a professora percebeu que alguma coisa o diferenciava dos outros meninos da sala. Não tanto nas aulas (ao princípio), mas sobretudo nos intervalos, em que o mau comportamento recorrente fez crescer recados nas páginas da caderneta. Foi a perspicácia da professora que mudou o rumo da história. "Um dia chamou-me para me dizer que talvez o João tivesse capacidades acima da média, e que se sentisse desajustado nas aulas e na escola, mostrando-o nos intervalos, com outros meninos com quem pouco se identificava. Nunca usou a palavra sobredotado, mas eu e o pai percebemos que era isso que estava a querer dizer", conta (...) Lúcia B, a mãe de João (chamemos-lhe assim), três anos após essa conversa que a fez entrar num mundo que desconhecia: o das crianças sobredotadas e respetivas famílias.
Fonte: DN

sábado, 18 de julho de 2015

"Será o Seu Filho Sobredotado?"

Sinopse
Em cada 100 crianças, três a cinco serão sobredotadas. Como estão a ser acolhidas na sua diferença?

Os pais, perante o comportamento dos seus filhos, sentem necessidade de obter respostas para as suas dúvidas, de procurar esclarecimento e orientação. Nas escolas, aceitam-se mitos que a pesquisa já derrubou.
A inércia continua amparada por uma certa crença de que estas crianças não precisam de atenção especial, podendo educar-se por si.

Este livro pretende, por isso, ajudar os pais a familiarizarem-se com o conceito de sobredotação e dar a conhecer formas de promover um desenvolvimento salutar, tanto afetivo como educativo. De certa forma, esperamos que possa também servir de alerta aos decisores políticos, dando-lhes a conhecer as necessidades particulares destas crianças.

Mesmo contando com o apoio das instituições, cabe-lhe a si, enquanto mãe ou pai, apoiar o crescimento do seu filho ou filha, encaminhando-o no sentido da felicidade.
"Será o meu filho sobredotado?", de Helena SerraAna Serra Fernandes

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Saiba porque existem crianças sobredotadas que, ao mesmo tempo, têm áreas com baixo desenvolvimento

Algumas crianças revelam níveis heterogéneos de desenvolvimento. A sua evolução cognitiva, verbal e lógica processa-se de forma diferente, por exemplo, da evolução psicomotora. Por vezes, reúnem conhecimentos inesperados para a sua idade em domínios como matemática, astronomia, física, história, ou outros, mas revelam dificuldades de orientação no espaço e no tempo ou de controlo e destreza motora fina.

Helena Serra
As dificuldades acima referidas vão refletir-se nas tarefas que exijam habilidades manuais ou impliquem alguma precisão. Usualmente, tais dificuldades espelham-se nos seus traçados grafomotores, apresentando uma escrita alterada, com letra mal delineada, irregular, desarmónica.
O nível psicomotor das crianças com capacidades excecionais está mais ligado à sua idade cronológica do que à sua idade mental. Os pais e os professores inquietam-se, porque a criança não aceita as tarefas que poderiam desenvolver tais competências, continuando a agravar-se o problema.

«Ser sobredotado não significa necessariamente ter mais sucesso, ser mais feliz, saudável, socialmente ajustado ou mais seguro.»

Em algumas crianças, o desnível revela-se entre as competências cognitivas e a maturidade afetiva, entre inteligência e afetividade. Esta vertente vem realçar a interferência da inteligência brilhante nas necessidades afetivas, podendo a criança adotar um dado comportamento para esconder a sua imaturidade.

Isto é, ao mesmo tempo que a inteligência lhe permite captar uma vasta quantidade de informações acerca de tudo o que a rodeia, ela tenta esconder vivências muito próprias, como a ansiedade e os medos, podendo comprometer o seu equilíbrio psicológico. Pode mesmo fazer emergir comportamentos de padrão neurótico que os adultos têm dificuldade em aceitar. Daí que, em jeito de advertência, seja importante permitir à criança expressar os seus interesses e os seus prazeres, os seus desgostos, as suas vergonhas, as suas fúrias. E importa tambémdeixá-la vencer dificuldades para que possa desejar vencer, lutar, falhar, afirmar-se. Se não puder equivocar-se, se não puder desejar, vai naufragar em aborrecimento, e o aborrecimento é uma forma de depressão na criança.

Também no domínio social, o desfasamento pode tornar-se evidente, considerando a diferença entre a rapidez do desenvolvimento mental da criança com capacidade natural superior e a celeridade média das outras crianças, as quais, por isso mesmo, seguem um percurso escolar estandardizado.

Ora, neste processo padronizado, as necessidades e características destas crianças são esquecidas e é isso que leva a criança a tornar-se cada vez mais desinteressada e distraída, pois o ambiente oferece-lhe uma escassa ou nula estimulação de interesses.

Pode evidenciar-se aqui um comportamento peculiar da criança, designado por efeito Evereste, isto é, enquanto se mantém interessada nas atividades escolares, tem tendência a concentrar-se no que é mais complexo e difícil, não dando importância, ou mesmo falhando, nas atividades mais simples.

Neste âmbito, a criança constrói a ideia de que o sistema escolar apenas lhe exige e oferece um saber mínimo, o que representa um abalo na sua curiosidade e, consequentemente, nas suas potencialidades intelectuais.

Este aspeto social de falta de sincronia também está patente no seio familiar e no grupo de pares, porque, em geral, quer os pais quer as outras crianças esperam dela uma atuação correspondente à sua idade real.

Para os pais, torna-se difícil compreender a especificidade do comportamento do seu filho e conseguir ter, ao mesmo tempo, um diálogo que corresponda ao nível intelectual da criança e a um mesmo tempo ao seu nível de evolução afetiva. Isto agudiza-se num contexto familiar mais debilitado, do ponto de vista cultural ou socioafetivo. Não compreender a criança é prejudicial, mas o facto de a criança se aperceber de que os seus pais não a conseguem compreender, é muito pior.

Na relação com os pares revela-se também o desfasamento, porque a criança tende a procurar estabelecer relações com colegas mais velhos, com quem possa manter um diálogo mais interessante sobre diversos assuntos. Todavia, contrariamente, quando se tratam de jogos desportivos – dimensão física –, a tendência é para interagir com colegas da mesma idade ou mais novos.

Importa referir que, em estudos efetuados recentemente em escolas básicas portuguesas, se comprovou o contributo positivo das interações entre as crianças com capacidades elevadas, concluindo-se que o desinteresse aumenta pelo facto de não haver outras crianças com potencialidades idênticas na mesma sala de aula.
Em suma, embora não necessariamente, em alguns casos de alunos com capacidades elevadas podem surgir problemas emocionais: sub-rendimento académico, isolamento social, depressão, entre outros, o que confere sentido à afirmação “ser sobredotado não significa necessariamente ter mais sucesso, ser mais feliz, saudável, socialmente ajustado ou mais seguro”.

Helena Serra
Investigadora em Educação Especial e professora-coordenadora jubilada da ESE de Paula Franssinetti. É doutorada em Estudos da Criança / Educação Especial pela Universidade do Minho e tem o Curso de Formação em Sobredotação pelo World Council for Gifted and Talented Children. É autora de numerosos artigos e livros na área da Educação Especial e tem dedicado a sua vida à compreensão da dislexia e da sobredotação. Foi agraciada com o Grau de Comendadora da Ordem da Instrução Pública, em 2005