terça-feira, 23 de junho de 2015

Curta-metragem exemplifica sofrimento causado por Comportamentos Obsessivos

Esta curta-metragem finlandesa já soma mais de 3,4 milhões de visualizações na internet e reflete a respeito do sofrimento ocasionado pelos comportamentos obsessivos.
Diferente daqueles hábitos ou costumes que a maioria das pessoas tem, os comportamentos obsessivos são aqueles que aprisionam o indivíduo que, mesmo diante de grande sofrimento ou riscos evidentes, não consegue se libertar. A personagem no vídeo está claramente determinada a tricotar, sem parar, mesmo que isso lhe faça mal ou represente riscos contra sua própria vida.
É claro que o ato de tricotar surge como uma ilustração para outras situações que aprisionam (relacionamentos destrutivos, por exemplo) e também para pensamentos obsessivos.


Fonte: Psicologia Acessível

Programa para ajudar autistas chega a Portugal (PRT)


A FOCUS,C.R.L. acolhe, pela primeira vez em Portugal, o Workshop de  Formação e Certificação Internacional Inicial no Pivotal Response Treatment (PRT)®.

O PRT ® é um dos mais bem estudados e validados modelos de intervenção no autismo e foi desenvolvido nos anos 70 pelos Psicólogos Robert Koegel, Ph.D., e Lynn Kern Koegel, Ph.D., na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, que atualmente são, respetivamente, Administrador e Diretor Clínico do Centro Koegel de Investigação no Autismo da Universidade da Califórnia de Santa Bárbara.

O PRT ® é um programa de intervenção baseado nos interesses e iniciativa das crianças, jovens e adultos, criado com o objetivo de desenvolver quatro áreas fundamentais/centrais do Desenvolvimento: a Motivação; A Resposta a múltiplos estímulos; Auto gestão e Respostas Auto iniciadas. (há neste momento investigação numa quinta: Empatia). Estas são as áreas do Desenvolvimento que provocam mudanças e avanços generalizados no desenvolvimento de outras áreas, quando estimuladas adequadamente. 

O PRT ® revela-se particularmente eficaz e eficiente no desenvolvimento da comunicação verbal, imitação, atenção conjunta, interações sociais, competências de jogo, competências académicas e na redução de comportamentos disruptivos.

Este Workshop de dois dias e correspondente certificação internacional fornece aos Pais, Professores e Terapeutas, entre outros, uma abordagem passo a passo baseada em evidências para ensinar novas competências que são importantes para uma vida autónoma. 


Assista à apresentação do PRT realizada pela Prof. Doutora Lynn Koegel:



Deixo o link de uma notícia sobre o evento:

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Bridge - não precisamos derrubar ninguém para seguir

Inspirado pela formação que fiz recentemente, "Gestão de Conflitos e Liderança Pedagógica na Sala de Aula", eis mais um vídeo que tão bem retrata muitas personalidades que vamos encontrando no nosso dia a dia:)
Bridge - fala sobre a “técnica” de resolução de conflito da maior parte das pessoas teimosas no planeta: centrar-se no seu próprio umbigo.
Mais importante do que estar certo é ser feliz, encontrar formas equilibradas de resolução de conflitos para criarmos um mundo melhor.
Comunicação e colaboração são aspectos simples que podem ser assimilados por qualquer ser humano que queira melhorar o universo ao seu redor.

Revista UAEM 2014/2015

Depois de um longo percurso de aprendizagem e descoberta, o final do ano letivo está aí! 
Deixo uma breve e resumida compilação de alguns textos publicados na página da escola e que passam em revista algumas das atividades mais significativas realizadas com os alunos ao longo do presente ano letivo.

Aconteceu na UAEM...

Ler mais publicações no Calaméo

Uma palavra de reconhecimento a todos que connosco trabalharam e contribuiram diariamente para o sucesso das nossas salas UAEM, pois só com muita dedicação, profissionalismo e querer conseguiremos alcançar os nossos objetivos, que passam, necessariamente, pela convicção de que a Educação é um direito fundamental para o desenvolvimento pessoal e coletivo e uma sociedade que não se construa num modelo de educação ativa e inclusiva, com princípios multiculturais, de participação e cidadania, não poderá ser uma sociedade justa e igualitária, como desejamos e defendemos para nós e para as gerações vindouras.       

domingo, 21 de junho de 2015

Vídeo Motivacional - The Little Frog

SIM, os seus sonhos poderão realizar-se! 
Não permita que pessoas negativas os prejudiquem!

É caso para dizer: Ainda bem que o sapinho era surdo:)

Ler em voz alta ajuda a desenvolver o cérebro

Um estudo feito no Centro Hospitalar Pediátrico de Cincinnati, no Ohio, EUA, sugere que ler em voz alta para crianças tem um impacto muito positivo no cérebro, estimulando a ativação de certas zonas que ajudam ao desenvolvimento cognitivo. Ajuda também a desenvolver a linguagem, a imaginação e até a visão.
Os investigadores descobriram, durante o estudo, que as crianças em idade pré-escolar, em cujas casas se lia mais em voz alta, apresentavam maior ativação do cérebro nas zonas associadas à aprendizagem e à memória. O estudo foi feito em famílias com diferentes situações económicas e os resultados demonstraram que todas as crianças apresentavam resultados semelhantes. E que quanto mais cedo começassem a ler em voz alta aos filhos, melhor.

Mais informações sobre este estudo aqui.
Fonte: http://revistafabulas.com/

"Mais Alto do que as Palavras"

A viagem de uma mãe ao mundo do autismo. “Este é o livro que espero que corra o mundo. Foi para o escrever que nasci."

Quando ouvimos falar da famosa modelo e atriz Jenny McCarthy, companheira de Jim Carrey, somos de imediato remetidos para o fantástico mundo das celebridades, do charme e do glamour. No entanto, a vida de Jenny não se distingue da de qualquer outra mãe.

Tudo começou numa manhã igual a tantas outras, à exceção de se ter deparado com um ataque convulsivo do seu filho Evan, então com 2 anos. Teve então início a atormentada odisseia de visitas a hospitais, que culminaram com a terrível realidade: “Lamento imenso, o vosso filho tem autismo.”

Longe de uma sentença, o diagnóstico representou o início de uma longa jornada na busca de uma cura para o autismo. Uma viagem feita de coragem e de fé, pela qual a autora nos conduz pelos meandros do “assombrado” mundo das crianças autistas, até, através de novas terapias e tratamentos, conseguir vislumbrar a luz ao fundo do túnel.
Porque, quando o nosso filho é diagnosticado com autismo, toda a nossa vida se altera.

Autora: Jenny McCarthy
Ano: 2009
Editora: Livros de Seda


Fonte: Crescer Especial - Livros

sábado, 20 de junho de 2015

Dislexia - Atividades de Conhecimento Fonológico

Material de intervenção em Linguagem escrita para pais, professores e técnicos.

Contém 108 fichas agrupadas em 4 categorias:
     - Consciência da Palavra
     - Consciência de Rima
     - Consciência Silábica
     - Consciência Fonémica

Autoras: Rosa Lima e Cláudia Tavares
Ano: 2012
Editora: LIDEL

Fonte: Crescer Especial - Livros

"Juntos no Desafio - Guia para a Promoção de Competências Parentais"

Trata-se de um guia para a promoção de competências parentais destinado a pais de crianças e adolescentes com PHDA e perturbações do Comportamento.
No site (http://www.juntosnodesafio.com/) disponibilizam os anexos para download, que dão sempre muito jeito…

Autores: Paulo José Costa, Susana Heleno e Carla Pinhal
Ano: 2010
Editora: Texiverso


Fonte: Crescer Especial - Livros

Portefólio de Competências Funcionais

Portefólio construido para crianças com currículo especifico individual. São abordados temas como a identificação, localização geográfica, meses, estações, dias da semana, horas, dinheiro, alimentação saudável, segurança, meios de comunicação, meios de transporte, serviços... Depois de concluído o portfólio foi plastificado e encadernado e serviu de apoio para várias atividades complementares (fichas de trabalho e atividades práticas). 


Portfólio competências funcionais from Celina Sousa, Professora de Educação Especial

Coca-Cola convoca o mundo para apoiar os Jogos Olímpicos Especiais

Evento acontece entre os dias 25 de julho e 2 de agosto em Los Angele


Entre os próximos dias 25 de julho e 2 de agosto, a cidade de Los Angeles vai sediar os Jogos Olímpicos Mundiais Especiais. Este ano, o evento contará com 7 mil atletas, 3 mil treinadores e 30 mil voluntários de 177 países. A expetativa é que os jogos sejam acompanhados por mais de 500 mil pessoas.
Para demonstrar o seu apoio ao evento – e convocar o mundo inteiro a participar – a Coca-Cola, que é uma das empresas que ajudaram a criar os jogos em 1968, lançou o seu próprio hino, Reach Up.
A canção é interpretada pela banda O.A.R, Cody Simpson, Breanna Bogucki – cantora e atleta especial, e Madison Tevlin, portadora de Síndrome de Down que ficou bastante conhecida na internet este ano.

Por Amanda de Almeida

"Asperger... O que significa para mim?"

Trata-se de um manual prático, dirigido a pais e professores, mas também diretamente às crianças e jovens com síndrome de Asperger, com o objetivo de lhes dar a oportunidade de se compreenderem a si próprios.
Inclui sugestões, estratégias e exercícios práticos sobre vários temas. Maneiras de pensar, experiências dos sentidos, talento artístico, pessoas, compreensão dos outros, pensamentos, comunicação, escola, amigos, sentir-se perturbado, etc…

Autora: Catheriene Faherty
Ano: 2009
Editora: Verbo

Fonte: Crescer Especial - Livros

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Artista autista desenha cidades inteiras de memória

 Chamam-lhe a máquina fotográfica humana: Stephen Wiltshire só precisa da sua caneta para reproduzir as capitais do mundo

Deem-lhe uma caneta e ele revela as cidades. Stephen Wiltshire, de 41 anos, é um artista invulgar. Sofre de autismo e foi aos cinco anos que repararam no seu talento para desenhar. Stephen consegue reproduzir os panoramas das cidades de memória, e já representou Nova Iorque, Tóquio, Roma, Paris e Londres, entre outras. 

Chamam-lhe a máquina fotográfica humana, pelos pormenores que consegue captar. "As cidades são tão bonitas. As silhuetas… os edifícios muito altos", afirmou (...). O artista sofre de grandes problemas de comunicação e só aos nove anos é que disse as primeiras palavras. 

Para o fazer falar, os professores tiraram-lhe o material de desenho na escola. Por querê-los tanto, Stephen viu-se obrigado a pedi-lo. Caneta e papel foram as suas primeiras palavras. 

"Ele era o aluno caladinho no canto da sala – não dizia nem interagia com ninguém. Só punha a cabeça para baixo e escrevinhava no papel", contou (...) a sua irmã Annette, que o acompanha nas viagens ao estrangeiro.

Aos oito anos, fez o seu primeiro trabalho: uma reprodução da catedral de Salisbury para o primeiro-ministro britânico Edward Heath. Mais tarde, estudou Belas Artes na Faculdade de Artes de City & Guilds. Neste momento, pintou o seu auto-retrato. 

Em 2008 desenhou a capital espanhola, Madrid. Qual é o seu método? Sobrevoa as cidades de helicóptero e faz um rascunho rápido. Quando volta para o hotel, memoriza esse desenho durante a noite. Depois, passa-o para as telas, como a que criou em Singapura. 

"Uma multidão de 150 mil pessoas veio dar-lhe as boas-vindas a Singapura. Quando o viram a desenhar, algumas estavam a aplaudir e outras a chorar", contou a irmã de Stephen, Annette. "Nunca vou esquecer um homem que esteve lá todos os dias. Não importava quão grande era a multidão, conseguia sempre chegar-se à frente para se aproximar do Stephen. Nunca vou esquecer a sua cara", acrescenta.
A obra que lhe ocupou mais tempo tinha dez metros e retratava Tóquio. Demorou oito dias a fazê-la, em 2005. Só usou caneta. Em 2006, foi ordenado membro da Ordem do Império Britânico pela rainha Isabel II. Para além das cidades, Wiltshire gosta de pintar carros vintage. Tem vários.

Hoje em dia, tem uma galeria em Mayfair, na cidade de Londres (...), e pretende abrir outra, em Nova Iorque, para vender os seus trabalhos. Segundo o seu site oficial, o seu lema é "faz o melhor que puderes e nunca pares".

Fonte: Sábado 

Cooperar para Incluir no Jamor

O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. vai promover a ação de formação outdoor Redes e Parceiros: Cooperar para Incluir, no dia 25 de junho, no Centro Desportivo Nacional do Jamor.
Nesta ação as equipas, constituídas por técnicos de organismos de administração pública, ONG e IPSS na área da inclusão social, empresas públicas e privadas e fundações, desenvolverão ao longo do dia atividades com vista a:
  • Potenciar a qualidade das parcerias e das intervenções na promoção dos direitos das pessoas com deficiência.
  • Aumentar a coesão, o espírito de equipa e a partilha pelas associações, organismos, empresas, de valores comuns, desafios, experiências e objetivos. 
  • Contribuir para o alargamento do trabalho em rede e em parceria. 
  • Envolver os decisores, os técnicos, as pessoas com deficiência na concretização de soluções para a inclusão em parceria. 
  • Potenciar a aprendizagem pela experiência e uma cultura de inclusão.

A ação é gratuita, confere certificação e tem um nº limitado de 45 formandos. As inscrições decorrem até ao dia 22 de junho.
In http://www.inr.pt/

PHDA, mito ou realidade?

Desde há mais de duas décadas que sou responsável pelo seguimento de crianças com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), não podendo deixar de reagir a programas como o “Linha da frente”, da RTP1, do passado dia 6 de junho.
Sou pediatra do neurodesenvolvimento no Hospital Pediátrico de Coimbra, responsável desde 1989 por uma das primeiras consultas de hiperatividade do País. Fomos também dos primeiros a utilizar metilfenidato (MPH) de forma regular, 14 anos antes da sua comercialização em Portugal. Periodicamente, este grave problema que afeta 5-7% da população de idade escolar e 2,5-3% de adolescentes e adultos, é tratado pela comunicação social, duma forma que só posso apelidar de pouco responsável.
Relatos imprecisos, generalizações abusivas de casos particulares, demonização dos efeitos da medicação, entrevistas a profissionais, de saúde mental ou não, sem reconhecida credibilidade nesta patologia e frequentemente veiculando informações incorretas, fazem parte da estratégia utilizada.
Utiliza-se a opinião de médicos não peritos, que veiculam a opinião de que a PHDA não existe, é uma fraude ou um problema benigno e colocam-se em contraste com os resultados da mais avançada investigação científica, como se ambas as opiniões tivessem igual mérito. Passa-se para a opinião pública a ideia, de que entre profissionais igualmente experientes na área, há duas correntes, ambas de igual validade científica.
Tenta-se fazer crer que a PHDA é um problema social, onde crianças “normais”, sem qualquer problema para além de serem um pouco irrequietas, são rotuladas de “hiperativas” e consideradas “doentes” apenas com o propósito de as medicar. Desta forma, lança-se a desinformação, levando em última análise a uma ausência de procura de ajuda e tratamento adequados por quem necessita, ou à confusão de quem já é acompanhado em consultas.
A PHDA está claramente entre os problemas de saúde em geral e do neurodesenvolvimento em particular, mais investigados. Milhares de profissionais em todo o mundo, das áreas da psicologia, psiquiatria, neurologia, neurofisiologia, imagiologia, genética e outras, dedicam as suas carreiras e a sua investigação a este problema.
Há hoje um consenso mundial, entre as diferentes sociedades científicas, como as academias europeias e americanas de pediatria, pedopsiquiatria, psiquiatria, a federação mundial de PHDA ou a rede europeia de estudo da PHDA Eunethydis, relativamente às orientações diagnósticas e terapêuticas desta perturbação.
Contrariamente ao que se pretende fazer crer, a PHDA não é um distúrbio benigno e pode causar problemas devastadores ao longo da vida. É uma das perturbações neurocomportamentais mais frequentes na criança e adolescente. É um problema crónico que em grande percentagem persiste na vida adulta.
É uma condição neurobiológica, com marcada etiologia genética, envolvendo disfunção de várias regiões específicas do cérebro, concretamente o córtex pré-frontal e suas conexões com os núcleos da base e cerebelo. Apesar da importância de fatores ambientais, nomeadamente o ambiente sociofamiliar, no agravamento ou proteção relativamente às queixas de PHDA, raramente são a causa primária do seu surgimento.
A investigação deixa claro que a disfunção cerebral da PHDA envolve importantes áreas neurocognitivas (função executiva, memórias de trabalho, linguagem, atenção e controle motor), prejudicando o funcionamento académico, familiar, ocupacional e social.
A PHDA raramente cursa isolada, associando-se frequentemente a comorbilidades (dificuldades específicas de aprendizagem, perturbação de oposição, da conduta, da linguagem, do humor, de ansiedade, etc.), com relevância em termos de orientação diagnóstica e terapêutica.
Múltiplos estudos de seguimento mostram que em indivíduos com PHDA há taxas muito superiores de retenção e abandono escolar. Como adultos, apresentam taxas de produtividade muito inferiores e mais problemas no emprego e na família. Participam mais em atividades antissociais, consomem mais drogas ilícitas, são mais propensos a gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, múltiplos acidentes de viação, depressão, transtornos de personalidade e criminalidade.
Uma abordagem não farmacológica isolada, está recomendada para a PHDA em crianças pré-escolares ou nas situações mais ligeiras. Em situações moderadas ou graves, com grande impacto no funcionamento, desempenho e autoestima da criança, após uma adequada avaliação por equipa interdisciplinar, é recomendada a medicação em associação com medidas não farmacológicas. Apesar de esta ser a regra geral, a decisão deve ser sempre tomada caso a caso. O inicio de medicação é sempre decidido pelos pais, depois de devidamente informados e a sua continuidade dependerá dos ganhos obtidos e dos eventuais efeitos secundários.
O metilfenidato (MPH) é o fármaco de 1ª linha no tratamento da PHDA, de acordo com todas as “guidelines” internacionais, com efeitos positivos muito claros na redução da hiperatividade e impulsividade, no aumento das capacidades atencionais e cognitivas. De acordo com a nossa já longa experiência, o MPH veio melhorar significativamente a qualidade de vida de muitos milhares de crianças e adolescentes com PHDA e respectivas famílias, nos últimos 26 anos.
Com mais de meio século de utilização regular em todo o mundo, o MPH é o psicoestimulante mais estudado e mais utilizado na criança, com um nível de eficácia próximo dos 80% e padrões de segurança ímpares no contexto dos psicofármacos. Atualmente está disponível em Portugal um segundo fármaco, não estimulante, a atomoxetina. O seu uso tem sido muito limitado pelo fato de só recentemente ter obtido comparticipação. Tem indicações clinicas precisas, como fármaco de 2ª linha, concretamente no insucesso ou contraindicações ao MPH.
Várias razões, algumas bem óbvias, estão subjacentes a um aumento enorme do uso de MPH nos últimos 10 anos e a um previsível crescimento do uso deste fármaco nos próximos anos:
  1. A PHDA é uma patologia altamente prevalente e a sensibilidade para o problema, por parte de pais, professores, médicos de família, pediatras, pedopsiquiatras, neuropediatras e da sociedade em geral, tem aumentado significativamente.
  2. O nível da exigência e competitividade do ensino é hoje consideravelmente superior ao de há alguns anos (em contraste com uma redução dos apoios educativos).
  3. O MPH tem grande eficácia, com excelente tolerância e só está disponível em Portugal desde há menos de 12 anos (final de 2003).
  4. O número de consultas especializadas em Portugal, aumentou exponencialmente na última década, provavelmente mais do que a prescrição de MPH. Inicialmente apenas os serviços de neuropediatria ou pediatria dos grandes centros, importavam o MPH diretamente. Com a introdução do fármaco no mercado e a adesão dos serviços de pedopsiquiatria, inicialmente renitentes à terapêutica com psicoestimulantes, pela criação de consultas de neurodesenvolvimento em todos os serviços de pediatria, com a disseminação de centros de desenvolvimento privados por todo o País, “democratizou-se” e generalizou-se a nível nacional, o acesso de crianças com PHDA a serviços especializados.
  5. O aumento previsível nos próximos anos do uso por crianças e jovens do sexo feminino. Tradicionalmente a ênfase e a justificação para o uso do MPH, residia nos comportamentos disruptivos e nos seus efeitos no funcionamento da sala de aulas. Cada vez mais se conclui que o défice de atenção é o problema com mais impacto na progressão escolar e as raparigas, por serem essencialmente desatentas, têm sido alvo de subdiagnóstico, situação que está gradualmente a ser corrigida.
  6. Só recentemente o MPH foi aprovado para uso nos adultos e só agora começam a surgir nalguns serviços de psiquiatria, consultas de hiperatividade para adultos, ainda de forma muito residual, sendo espectável um aumento de prescrição nesta faixa etária.
Desta forma, o aumento significativo verificado na utilização de MPH na população portuguesa está na sua maioria justificado. Pelas razões expostas e pela transposição para o nosso País dos dados de prevalência internacionalmente aceites, uma grande percentagem de crianças e jovens com PHDA continuam sem encaminhamento para os serviços adequados. Sendo assim, será previsível uma continuação do crescimento da prescrição de fármacos para a PHDA. A monitorização cuidada da utilização de psicofármacos em geral e psicoestimulantes em particular é de grande importância e deve ter como alvo principal o comércio pela internet. Às consultas especializadas nesta patologia, particularmente no âmbito das consultas de neurodesenvolvimento dos serviços de pediatria, devem ser garantidas as condições técnicas necessárias. Equipas interdisciplinares incluindo médico, psicólogo, técnico superior de educação e assistente social, assegurando um diagnóstico e uma avaliação adequadas, podem dar um importante contributo para a redução ao mínimo da margem de erros e de eventuais excessos.
José Boavida Fernandes
Pediatra do Neurodesenvolvimento
Responsável da Consulta de Hiperatividade do Centro de Desenvolvimento do Hospital Pediátrico, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
In http://ipodine.pt/