segunda-feira, 11 de abril de 2022

Na educação, o exemplo vem de cima, sim!

Quando se trata de educação, é verdade que o exemplo vem de cima: da família, dos pais, dos avós, dos irmãos mais velhos. E tão importante é que se reflete na forma como os alunos se comportam nas aulas. A esses alunos, a quem os pais têm o cuidado de bem educar, a quem a família dedica toda a atenção e quer saber o que se passa com eles, não é necessário mandá-los calar.

Não é o falar que incomoda um professor! Tomara este que o aluno participe e seja ativo em relação ao ensino que lhe está a ser ministrado. O problema está quando o aluno fala de tudo o que lhe interessa exceto do que está a ser dado nas aulas, abafando, tantas vezes, a voz do professor, propositadamente.

Podem dizer que é uma questão de autoridade, que o professor tem de se saber impor... E tem, é verdade! No entanto, há alunos cujo exemplo que trazem de casa é tão saliente, tão audaz e claramente protegido que não há quem os consiga fazer calar.

Sou professora há mais de 30 anos, no ensino secundário! Tenho muita experiência com todo o tipo de alunos. E sei e já vi muitas coisas. Já tive de mandar “calar”, já coloquei alunos fora da sala de aula, eu, que me considero uma pessoa afável, tolerante e para quem o processo de ensino-aprendizagem é um ato de deslumbramento! Se me angustia? Tudo isso me deixa “sem chão”. É preciso muito para eu chegar ao meu limite. E, muitas vezes lá, ainda dou espaço a uma conversa a dois: eu e o aluno em questão, no final da aula, uma forma de procurar que tal não volte a acontecer. E tenho sempre fé, é verdade! Porém, há sempre um peso maior: tudo o que esse aluno carrega às costas e despeja nas salas de aula, sem respeito por ninguém, nem pelos professores.

Por vezes, há vitórias. No meu caso, até cheguei a convidar pais a participar nas minhas aulas para que assistissem. Alguns aceitaram o desafio e os resultados foram francamente positivos. Mas nem sempre o puderam fazer. Por outro lado, nenhum professor se deve sentir obrigado a ter de passar por esse tipo de situações. Um professor deve ensinar. Fá-lo-á muito melhor, quando os alunos permitem que ele o faça. Para isso acontecer, os pais, os irmãos mais velhos, a família deve dar-lhes o exemplo, pois o exemplo vem de cima.

In https://www.publico.pt/2022/04/04/impar/opiniao/educacao-exemplo-vem-cima-sim-2001332 


 

domingo, 3 de abril de 2022

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo


 O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo (World Autism Awareness Day) ou simplesmente Dia Mundial do Autismo é comemorado no dia 2 de Abril, data definida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objectivo prende-se com a necessidade de esclarecer a população mundial sobre o Autismo.


Segundo o Manual de Saúde Mental – DSM-5, o Autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por Transtornos do Espectro Autista (TEA). Consiste num distúrbio neurológico caracterizado pelo comprometimento da interacção social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restritivo e repetitivo. Afecta o processamento das informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e as sinapses se organizam. Contudo, a forma como este processo ocorre a nível cerebral ainda não é bem compreendido.

Foi descrito pela primeira vez em 1943 pelo médico austríaco Leo Kanner no artigo “Autistic disturbance of affective contact”, publicado na revista Nervous Child. No mesmo ano, Hans Asperger descreveu na sua tese de doutoramento a psicopatia autista da infância. Nas décadas de 50 / 70, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a indiferença da mãe. Já durante os anos 70 esta teoria foi rejeitada, com a busca de causas que provocassem a doença. Hoje acredita-se que o autismo pode estar relacionado com factores genéticos e factores ambientais.

A dificuldade em saber quais os factores que influenciam o aparecimento da doença é porque nem todas estas alterações estão presentes em todos os autistas.

Artigo na íntegra AQUI

terça-feira, 15 de março de 2022

"Há pais muito difíceis de aturar", David Walliams

 

Beijos à porta da escola, proibição de desfrutar de certos brinquedos, pais que se armam em professores e outros que cheiram mal dos pés são algumas das reclamações que se podem ler de filhos desesperados em Os Piores Pais do Mundo.

Este é o mais recente livro traduzido para português do humorista britânico David Walliams, que, com os seus disparates, tem conquistado muitas crianças para a leitura. Em conjunto com o ilustrador Tony Ross, de traço característico e bem-humorado, foram já publicados nesta colecção As Piores Crianças do Mundo e Os Piores Professores do Mundo.

Naquela fase em que os miúdos se riem por tudo e nada, agrada-lhes este tipo de leitura. Se houver escatologia (e afins) pelo meio, ainda mais. Daí se divertirem tanto com o primeiro progenitor descrito no livro, Chico Cheirete, “o pai com os pés mais malcheirosos do mundo” e que ajuda a filha a ganhar um prémio de “melhor chef” da pior maneira que se possa imaginar.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Jack Ma: Teach Soft Skills, Not Knowledge, to Compete with Machines

"We need to be teaching our children values, believing, independent thinking, teamwork, care for others...these are the soft parts."

 “Only by changing education can our children compete with machines.”  That’s what Jack Ma, founder of Alibaba believes.  Alibaba is China’s largest e-commerce company. On some measures it is bigger than Amazon.com.

Speaking at the World Economic Forum in Davos, Switzerland, Mr Ma said, “We cannot teach our kids to compete with machines.  Teachers must stop teaching knowledge. We have to teach something unique, so a machine can never catch up with us.”

Don’t teach knowledge based things from the past 200 years

He continued, “Education is a big challenge now.  If we don’t change the way we teach, we will be in big trouble in 30 years from now.  Because the way we teach, the things we teach our kids, are the things from the past 200 years – its knowledge based. We need to be teaching our children values, believing, independent thinking, teamwork, care for others...these are the soft parts. The knowledge will not teach you that.” 

Pode ler o artigo na íntegra AQUI


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O meu filho tem esquizofrenia, e agora?


Leia o artigo na íntegra AQUI

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay

 

domingo, 15 de agosto de 2021

Estudo revela que um em cada quatro jovens tem sintomas de depressão elevados

Um estudo de análise, efectuado à escala global, estima que um em cada quatro jovens (25,2%) tem sintomas de depressão elevados e um em cada cinco (20,5%) apresenta sintomas de ansiedade altos devido à pandemia da covid-19. O trabalho, uma metaanálise de 29 estudos em que participaram 80.879 jovens de várias regiões do mundo, foi realizado por cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, e publicado na revista científica JAMA Pediatrics.

Em comunicado, a universidade realça que os sintomas de depressão e ansiedade duplicaram, em comparação com as estimativas de pré-pandemia, nas crianças e adolescentes. Segundo a metaanálise, que incorpora estudos da Ásia Central, Europa, Médio Oriente e das Américas do Norte, Central e Sul, são as raparigas e os jovens mais velhos quem demonstram níveis mais elevados de depressão e ansiedade.

Com base em estudos anteriores sobre doenças mentais na infância e adolescência, a investigação avança que o sexo feminino foi associado ao aumento dos sintomas depressivos e de ansiedade. A susceptibilidade biológica, baixa auto-estima, maior probabilidade de ter sofrido violência interpessoal e exposição ao stress associado à desigualdade de género podem ser factores que contribuem para este aumento.

“Estar socialmente isolado, afastado dos amigos, das rotinas escolares e das interacções sociais revelou ser muito duro para as crianças”, assinalou uma das co-autoras do estudo, Sheri Madigan, citada pela agência noticiosa Efe, enfatizando que os índices de ansiedade e depressão aumentam quando são impostas mais restrições.

Já a elevada taxa de depressão em jovens mais velhos pode estar relacionada com a puberdade e as mudanças hormonais, para além dos efeitos adicionais que o isolamento social e o distanciamento físico tiveram em crianças mais velhas que dependem da socialização com os colegas.

Outra das autoras, Nicole Racine, salientou que o “apoio social” dado aos jovens pelos amigos “diminuiu em grande medida ou, em alguns casos, faltou por completo durante a pandemia”, devido aos confinamentos prolongados. “Estes jovens não imaginavam que, quando se formassem, nunca chegariam a despedir-se da sua escola, dos seus professores ou amigos (...) e há um processo de luto associado a isso”, sustentou a psicóloga clínica.

A investigação refere ainda que o isolamento social contínuo, as dificuldades financeiras familiares, os marcos perdidos e as interrupções na escola possam estar a aumentar com o tempo para os jovens e a ter uma associação acumulativa.

O índice global de doenças mentais observados em crianças e adolescentes no primeiro ano da pandemia da covid-19 indica que “a prevalência aumentou significativamente, permanece alta e, por isso, requer atenção para o planeamento da recuperação da saúde mental”, lê-se no estudo. Por esta razão, ambas as investigadoras pedem mais apoios para a saúde mental de crianças e adolescentes em momentos críticos como uma pandemia.

Público - Lusa (através de Incluso)

sábado, 1 de maio de 2021

WORDWALL - Criar atividades interativas e imprimíveis

Para quem não conhece ainda o WORDWALL, deixo a dica...

O Wordwall pode ser usado para criar atividades interativas e imprimíveis. A maioria dos modelos está disponível em uma versão interativa e imprimível.

Atividade interativas são reproduzidas em qualquer dispositivo habilitado para web, como um computador, tablet, telefone ou quadro interativo. Podem ser reproduzidos individualmente por alunos ou conduzidos por professores com alunos, revezando durante a aula.

Atividades imprimíveis podem ser impressas diretamente ou baixadas como um arquivo PDF. Elas podem ser independentes ou usadas como parte de atividades interativas.

Exemplo:


Veja AQUI

domingo, 18 de abril de 2021

Palestra gratuita Entender Autismo online 21/04


Quarta-feira, dia 21 de abril das 18h00 às 20h00

Com repetição disponível durante 72 horas.

 

2 horas dinâmicas, compreensíveis e de grande valor para todos, quer sejam pais, profissionais de educação ou saúde, estudantes..., baseadas no que sentem e vivem as pessoas com Autismo e, assim, podermos compreender e ajudá-las a desenvolverem-se.
 

Inscrição gratuita aqui: https://vencer.link/palestra

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Perturbações do espectro do autismo: um problema de marketing?


 Autismo, esta sexta-feira [dia 2 de abril] assinalamos o dia para a sua consciencialização. Ideal seria que este dia não precisasse de existir, mas ainda estamos muito longe dessa realidade. Ainda estamos numa realidade em que, para a maioria, esta palavra é tão vulgar quanto confusa.


Tive em tempos uma discussão sobre o porquê de usarmos a palavra autista para nos referirmos a uma pessoa com autismo de nível 1, vulgo autismo de alto funcionamento, daquelas mentes brilhantes com direito a documentários e filmes a relatar a sua espectacular história de vida, enquanto usamos a mesmíssima palavra quando nos referimos às pessoas com autismo de nível 3, que não comunicam, não interagem e parecem não ter qualquer interesse e/ou competência.

Para quem está “de fora” é difícil compreender o que têm em comum alguém que pode ser um génio da matemática, ainda que com dificuldades na interacção social e particularidades, que no seu caso serão “manias de génio”, e uma pessoa que não tem linguagem verbal expressiva, não parece compreender o que lhe é dito na maioria dos casos e passa o dia a abanar-se (na melhor das hipóteses) ou a bater com a cabeça nas paredes.

Pergunto-me o quão embrenhada estou neste mundo do autismo, onde trabalho há mais de 11 anos, para conseguir identificar as mesmas características de base nestes dois casos que descrevi. Lembro-me de, nessa discussão, me ter socorrido de uma apresentação em PowerPoint, pejada de referências bibliográficas, para validar que não era invenção minha isto de dar o mesmo diagnóstico a pessoas aparentemente tão diferentes. Lembro-me também de ter sentido que me faziam falta mais braços, ao estilo Ganesha – deus indiano com vários pares de braços – porque senti que necessitava do meu tronco para sinalizar os comportamentos centrais do autismo e de mil braços que pudessem explicar as diversas trajectórias que podem existir para além deles.

Depois de uma longa conversa, acho que consegui arrumar as ideias do meu interlocutor, fazendo-lhe ver que o facto de uma das pessoas não falar e mal compreender a linguagem verbal era quase um “acaso” e não era isso que a fazia ser mais ou menos autista do que o autista genial do filme, porque ambos partilhavam os traços principais do autismo – défice na comunicação e interacção social e interesses restritos e repetitivos – e ainda critérios que ajudam a validar o diagnóstico, como é o caso das alterações sensoriais. No final, depois de convencido de que havia, de facto, características comuns entre ambos, obtive o seguinte comentário: “As pessoas que fazem os diagnósticos de autismo, não percebem nada de marketing. Se percebessem saberiam que nunca deveriam atribuir a uma palavra um significado tão abrangente, porque assim ela perde significado e não se associa verdadeiramente a nenhuma das realidades, nem consegue ser sinónimo de tantas e tão diferentes.”

Isto levou-me a pensar, uma vez mais: qual é a importância deste nome e deste diagnóstico em termos práticos? Qual o efeito que terá para um pai/mãe que ouve este diagnóstico pela primeira vez? Será que conseguimos realmente explicar a diversidade que daí pode surgir? Será que nos focamos efectivamente nas dificuldades e competências que aquela criança/pessoa apresenta e não só nas características que fazem dela “autista”? Sem querer dar a entender que tenho medo da palavra, porque não tenho e sou até bastante a favor de que esta seja usada, acho que urge explicar e desmistificar que uma pessoa não é autista porque não fala, porque tem défice cognitivo, porque tem um QI superior ou porque também tem epilepsia ou hiperactividade. Isso são outras características que aquela pessoa também tem. Todos os que trabalhamos e interagimos com pessoas com autismo somos responsáveis por esta (des)informação e temos um caminho a fazer neste sentido todos os dias.

Gostaria de acrescentar que acho que cada vez mais me convenço de que esta diversidade, que traz tanta dificuldade na comunicação daquilo que é o autismo e do que este diagnóstico pode representar, é a mesma que me prende a este universo. Sinto que eu própria me encontro numa busca incessante por padrões e características comuns em pessoas diferentes. E normalmente consigo encontrar! Daí que, para mim, seja claro o porquê de se chamar autista a pessoas em pontos tão distantes deste “espectro”. E assim embarco neste desafio de fazer ver a cada vez mais pessoas estas semelhanças, porque provam que um diagnóstico não é apenas o fechar dramático de portas, mas pode ser o abrir de oportunidades... Se conseguirmos perceber que o que faz de alguém um autista genial, pode fazer de uma outra pessoa, aparentemente sem competências, o melhor em alguma coisa que, se calhar, ainda está por inventar.

Maria João Morgado

Através de Incluso, Fonte: Público

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Recomendação para assegurar medidas de educação inclusiva em estado de emergência


 Resolução da Assembleia da República n.º 106/2021, recomenda-se ao Governo que, enquanto vigorarem medidas que afetem a normalidade das atividades educativas e letivas, diligencie no sentido de que os alunos para os quais foram adotadas medidas seletivas beneficiem delas presencialmente, sempre que possível, e em função da necessidade, avaliada caso a caso pelos docentes de educação especial, em conjunto com os respetivos educadores de infância ou docentes titulares do grupo/turma ou diretores de turma de cada aluno.